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Após o marido ser preso oito vezes, mulher critica Lei Maria da Penha

| MIDIAMAX


Foram oito prisões seguidas de soltura. A última registrada no fim de semana. A empregada doméstica Carla, de 22 anos, foi mais uma vez agredida pelo marido Nilson, de 30 anos.
 

Constrangida, encontrada na recepção da delegacia do Cepol (Centro Especializado de Polícias) pelo Midiamax, a jovem relatou que mais uma vez o marido teria chegado embriagado do trabalho, foi jantar e não tinha comida. Tirou R$ 5 do bolso e passou para a esposa fazer compra . Ela foi com a filha até o supermercado do bairro e quando voltou para casa, o marido a agrediu por ciúmes.
 

Foram tapas e socos no rosto e pescoço e quando caída ao chão, o marido Nilson passou a chutá-la. Ela mostra os hematomas e escoriações nos braços.
 

A filha do casal, E.S.S., 3 anos, assistiu a tudo. “Ela sempre assistia as brigas”.
 

Violência psicológica

“No começo, tudo era bom, um mar de rosas. Estamos casados há mais de cinco anos. Quando tínhamos dois anos de convivência, ele começou a gastar todo o salário com bebidas e descobri que estava grávida. Ganhei a minha filha e tive depressão pós-parto. Ele achava que era brincadeira. E me agredia verbalmente”.
 

’Flagrante’

Depois disso, as brigas era constante. “Ele começou a me agredir quando tínhamos três anos de casamento. Socos, chutes e ameaça de morte. Todas as vezes que apanhava registrava um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher. Mas, ele era sempre solto. Os policiais me diziam que para ele ficar preso teria que ser pego em flagrante”.
 

Por conta dessa situação, ela questiona a Lei Maria da Penha. Carla não consegue entender o motivo da polícia não manter o marido preso.
 

Ainda de acordo com a vítima, esta é a oitava vez que sofre esse tipo de agressões e diante disso resolveu mais uma queixa. .
 

Ameaças

”Tive que colocar a minha filha na creche e começar a trabalhar de doméstica. Para pagar aluguel e sustentar a minha filha. No ano passado, ficamos separados por vinte dias. Mas ele ficava indo na casa da minha mãe. E dizia que iria matar toda a minha família se eu não voltasse para casa”.
 

As histórias de violência chegaram até ao portão da creche, onde a filha estuda. “Ele ficou me esperando na frente da creche da minha filha. Jogou a bicicleta no chão e me pegou pelos braços ameçando de morte. Acabamos voltando mais nada era diferente”.
 

Sem saber explicar como conseguiu suportar tanta violência, mas certa de que o pesadelo está perto do fim, Carla disse com firmeza que agora quer viver em paz.
 

”A nossa convivência está cada vez mais difícil e não tinha para onde correr, quero somente viver em paz. Quero mudar de vida, criar a minha filha. Pretendo morar em outra cidade. Quero que ele pague tudo na Justiça, Agora quero separação.Ficava com medo da minha filha sofrer agressão física do próprio pai”.
 

Embriaguez

Dentro da cela da Cepol, por volta das 10h30, embriagado, Nilson disse ao Midiamax e para a polícia que trabalha como pedreiro e gosta de beber cerveja com os amigos no bar depois do trabalho. “Essa não é a nossa primeira briga. Ela é muito nervosa”, fala embriagado dentro da cela da Cepol.
 

Maria da Penha

No dia 27 de novembro a farmacêutica Maria da Penha, do Ceará, participou de um seminário em Campo Grande. Ela inspirou a Lei 11.340, que leva seu nome.
 

Em entrevista ao Midiamax contou sua vida de sofrimento e humilhação que resultou num tiro enquanto dormia. Ela ficou paraplégica e ainda, depois, sofreu outra tentativa de homicídio. O chuveiro do banheiro dava curto circuito e por pouco ela não morreu eletrocutada. Ela buscou ajuda na época, década de 80, mas só foi ouvida após levar a denúncia a organismos internacionais.
 

A cada 15 segundos uma mulher sofre espancamento no Brasil. Imbuído da cultura machista, o Judiciário não aplica a lei, na constatação de Maria da Penha.
 

Essa briga jurídica aguarda agora uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), em que tramita uma ação que faz um histórico de decisões contra a constitucionalidade da lei, colhidas nos Tribunais de Justiça de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O Tribunal de Justiça de MS considerou a Lei Maria da Penha constitucional.
 

O STF deve decidir se concede ou não a liminar pedida pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em ação de constitucionalidade, para que seja confirmada ou não a consistência jurídica da Lei Maria da Penha, que tem sido contestada em sentenças e decisões das primeiras e segundas instâncias. A Lei 11.340 foi sancionada, em 2006, para coibir e prevenir a violência doméstica contra a mulher.
 

Nilson continua preso na Depac e, segundo informações da polícia, foi enquadrado, agora, na Lei Maria da Penha e deve seguir ainda hoje para um dos presídios de Campo Grande.

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