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Papa pede que o Brasil se oponha ao aborto

| CORREIO BRAZILIENSE


O papa Bento XVI recebeu ontem, no Vaticano, o novo embaixador do Brasil na Santa Sé, Luiz Felipe Seixas Correa. O pontífice aproveitou a ocasião para elogiar as políticas sociais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e, diplomaticamente, manifestar preocupação com a percepção do Planalto sobre temas como ABORTO e pesquisas com células-tronco embrionárias. 


"Desejo reiterar minha esperança de que o Brasil, um paladino sempre fiel da defesa da dignidade humana, continue fomentando e divulgando os valores humanos fundamentais, sobretudo quando se trata de reconhecer de maneira explícita a santidade da vida familiar e a salvaguarda do ser humano desde o momento de sua concepção até sua morte natural", disse o líder da Igreja Católica no discurso de recepção a Seixas Correa. 


Lula já deu declarações de apoio a um debate sobre a regulamentação do ABORTO no país. "Quantas madames vão para o exterior fazer ABORTO? Não se trata de quem gosta da vida ou não. A questão é que a gente faça o debate", afirmou no ano passado, acrescentando que o assunto é de "saúde pública". Segundo ele, ou a discussão começa "com força", ou "vamos atravessar mais um século de preconceito". 


Bento XVI discursou em português e afirmou que autoridades do Brasil e a Igreja Católica têm a mesma visão sobre o ser humano e o mesmo desejo do bem-comum para o país. Além do ABORTO, outro debate que o Vaticano acompanhou com apreensão no Brasil - considerado a nação mais católica no planeta -, em 2008, foi o que culminou com a liberação das pesquisas que envolvem células-tronco embrionárias. 


Lei de Biossegurança 

Em maio do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a permissão para esse tipo de pesquisa. Para a Santa Sé, os estudos são contrários à vida e à dignidade humana porque descartam e inutilizam embriões. O julgamento começou em março e teve de ser interrompido por um pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.


No entanto, o tema voltou à pauta do tribunal, e uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei de Biossegurança foi rejeitada. O governo Lula comemorou a decisão, que manteve a lei intacta. 


Apesar da mensagem relativa a temas polêmicos como o ABORTO e as células-tronco, Bento XVI também teceu muitos elogios à administração Lula. "A política de redistribuição da renda facilitou um maior bem-estar entre a população, e faço votos para que o país a continue estimulando", declarou o papa.


Ele lembrou que, além da pobreza material, a pobreza moral incide de forma relevante sobre a estrutura das sociedades, ao lado do consumismo. De acordo com o pontífice, o Brasil é um "fator de estímulo para o desenvolvimento" de outros países da região, e sua política internacional é "a favor da paz no mundo" e "contra a pobreza" no continente africano. 


Bento XVI recordou, ainda, a viagem que fez ao Brasil em 2007 para participar da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), assim como a visita de Lula ao Vaticano em novembro do ano passado, quando assinou um acordo que define o estatuto jurídico da Igreja Católica no país. Em sua passagem por Aparecida e São Paulo, o papa confirmou frei Galvão como o primeiro santo genuinamente brasileiro.

 


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