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Doação

Captação de órgãos do corpo de Adenir foi bem sucedida

| DOURADOSAGORA


 

Equipe médica do Hospital Universitário de Dourados fez a segunda grande cirurgia de captação de órgãos deste ano. Segundo o cirurgião nefrologista Antônio Pedro Bittencourt, o procedimento cirúrgico iniciou na noite de segunda-feira, por volta das 22h30, e  terminou às 2h da madrugada desta terça. “Graças à sensibilidade da  família do doador, outras pessoas vão poder ter melhor qualidade de vida. Eles perderam um filho, mas, apesar da dor, deram oportunidade para outros viverem”, analisa o médico.
As córneas e os rins foram retirados do corpo de Adenir Lopes Machado, de 34 anos, que cometeu suicídio após atirar contra a ex-esposa no último sábado em Caarapó. O fígado, pâncreas e o coração não puderam ser retirados porque a equipe médica do Hospital das Clínicas, que viria de São Paulo para auxiliar na cirurgia, não pode viajar por conta do mau tempo e falta de teto no aeroporto, na capital paulista.
  Os órgãos retirados já foram encaminhados para a Central de Transplantes de Mato Grosso do Sul, que fica em Campo Grande.  No início de janeiro deste ano, a equipe formada por profissionais da saúde de Dourados, Ponta Porã e São Paulo realizou a primeira captação de múltiplos órgãos de Mato Grosso do Sul.
  No estado, a fila para transplantes de córneas e rins é grande. Bittencourt diz que, segundo último levantamento, em Mato Grosso do Sul, 119 pacientes aguardavam por córneas e 300 por rins – sendo que somente na região Sul do Estado este número gira em torno de 40.

O médico chefe da equipe de transplante, Antônio Pedro, diz que Dourados agora luta pela implantação do serviço no Hospital Universitário, que passa a ser gerenciado pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), hospital-escola. “A partir de agora, a expectativa é acelerar a implementação dos transplantes, a fim de agilizar o atendimento aos pacientes renais crônicos, como também aos demais que precisam de outros órgãos”.
 
Para tanto, a equipe, com o apoio da ABTO, está investindo no treinamento de um médico, visando as grandes cirurgias de múltipla captação. O cirurgião Erivelto Martins Filho vai para São Paulo, participar de capacitação, numa parceria com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).
 
Paralelo a isto, parcerias entre Estado e os municípios de Dourados, Navirai, Nova Andradina, Fátima do Sul e Rio Brilhante estão sendo firmadas, visando incentivar a implementação de centros médicos para a captação de córneas e outros órgãos.


“O objetivo é zerar a lista de córnea, que não para de crescer em todo Brasil”. Bittencourt lembra que o serviço em Dourados conta com o apoio incondicional de médicos, enfermeiros e demais profissionais da Saúde, além da Polícia Rodoviária Federal, que vem ajudando no transporte de hemoderivados (sangue) que são necessários para os exames complementares aos transplantes”, diz.

“Como cidadão, não apenas como médico, espero que os órgãos responsáveis diretamente pela Saúde, no município e Estado, possam olhar com maior carinho para esta necessidade de se implementar, como a máxima urgência, o serviço de transplante na cidade de Dourados. O HU já conta com a necessária infra-estrutura para isto, o que foi confirmado, ano passado, pelo coordenador nacional de Transplante, o médico Abrahão Salomão Filho, que participou de evento médico em Dourados”, enfatiza Antônio Pedro Bittencourt.  Segundo Abrahão, o HU de Dourados teria mais condições que 90% dos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo país”, afirma.


LISTA DE ESPERA


No Brasil, cresce a lista de espera de pacientes que necessitam de órgãos. De acordo com levantamento de 2007, apenas 22% dos 11.040 pacientes conseguiram passar por transplante de rins – um total de 7.392. Dos 16.507 que aguardavam por córnea, 9.940 foram contemplados (60%); 998 entre 4.600 receberam fígados (23%); 136 entre 1.104, coração (13%); e 46 de 1.472, pulmões ( 3%). No Brasil, são 90 à espera de córneas para cada milhão; 60 rins/milhão; 25 fígados/milhão; 8 pulmões/milhão e seis corações/milhão. Grande parte dos pacientes com doenças crônicas no fígado, pulmão e coração morrem antes do transplante.

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