PUBLICIDADE
Grave

Falta de neurologista complica situação de Juliana

| O PROGRESSO


A falta de neurocirurgiões está complicando os atendimentos no Hospital de Urgência e Trauma (HUT). Na segunda-feira, a família da caarapoense Juliana Soares de Souza, 28 anos, baleada pelo ex-marido, que se matou em seguida, estava inconformada com a falta de estrutura do HUT e de neurocirurgião para retirar a bala que ficou alojada na cabeça da paciente.

O fato ocorreu sábado passado na cidade de Caarapó, onde o ex-marido desferiu dois tiros contra a cabeça da vítima. A paciente foi encaminhada com urgência para HUT, onde foi retirado apenas um projétil; o outro não foi retirado porque, segundo os médicos, estava em uma região onde ofereceria risco de morte.

Como o HUT e o Hospital Universitário (HU) não têm estrutura e corpo clínico para fazer a cirurgia de retirada da bala pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a família de Juliana não sabia o que fazer. Até ontem à tarde ela permanecia internada na Semi-UTI do HE com a saúde estável. 
A única alternativa seria transferi-la para Santa Casa de Campo Grande. Um parente de Juliana, que pediu para não ser identificado, disse ao O Jornal PROGRESSO, que para fazer a cirurgia particular no Hospital Evangélico (HE), iria custar aproximadamente R$  60 mil, com um depósito inicial de R$ 20 mil.

O secretário municipal de Saúde de Dourados, Edvaldo Moreira, informou que o município solicitaria ao HE para fazer a cirurgia em Juliana.
Por causa do quadro clínico, encaminhar a vítima para Campo Grande seria um risco, pois ela poderia não resistir à viagem.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ela será encaminhada para o HE quando os médicos avaliarem que a paciente tem condições de se submeter a uma cirurgia.

A Secretaria de Saúde informou que a internação foi feita no HUT para evitar despesas com internação no HE, mas o ideal é que a paciente permanecesse no hospital onde vai ser operada.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou ainda que a  neurocirurgia é uma especialidade de alta complexidade e muito requisitada em Dourados, em casos de acidentes ou tentativa de homicídio. Além de corpo clínico especializado, esse tipo de operação exige também equipamentos modernos. São estas e outras especialidades que a Prefeitura de Dourados quer oferecer à população com o credenciamento do Hospital Evangélico, segundo o secretário. “Esse caso é apenas um exemplo da necessidade do convênio com o Evangélico”, afirmou. Para isso, o município deverá apresentar nos próximos dias a proposta para realização do acordo.

Na semana passada a reportagem do O PROGRESSO revelou que só em 2008, houve aproximadamente 190 mortes de pacientes que precisavam de atendimentos com neurocirurgiões no HUT, mas com a falta dos especialistas e de UTI, os pacientes, em estado grave, eram transferidos para Campo Grande, para Santa Casa, já que o HE havia suspendido a parceria com a Prefeitura.

A informação extra-oficial dos números partiu do  presidente do Conselho Municipal de Saúde, Wilson César Medeiros, reforçando a urgência em melhorar os atendimentos no HUT, o que poderia acontecer com o acordo entre o HE e prefeitura.


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE