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Pai incentiva filho de 13 anos a fumar maconha

| GLOBO.COM


Uma gravação telefônica autorizada pela Justiça na investigação da Polícia Federal mostra um pai, de 30 anos, incentivando o filho, de 13, a fumar maconha. Ele foi um dos 55 presos durante as operações Nocaute e Trilha, deflagradas pela PF, na quarta-feira (11), no Rio e em outros oito estados, além do Distrito Federal.

Semanas antes da prisão, o pai ouve o filho dizer que esteve na casa da mãe para usar droga.
 

Filho: “Eu fui lá fumar maconha com a minha mãe”.


Pai: “Ah, para, velho!”


Filho: “Eu ‘tô’ doidão”.


Pai: “Tô sabendo...”


Filho: “Eu falei assim: se eu não for lá com você, eu vou experimentar com outra gente”.


Pai: “Não, ‘tá’ certo”.


Filho: “Ela disse que se for para fumar maconha, para fumar com ela”.


Pai: “É, e comigo, ou então comigo”.


A reação do pai surpreendeu policiais responsáveis pela investigação e levanta novos questionamentos sobre o papel dos pais na orientação dos filhos, para evitar que eles se percam no mundo das drogas.


“Eu percebo um equívoco nos familiares que acreditam que liberando o uso de substâncias para os seus filhos próximos a si, eles têm controle sobre esse uso. Isto não é verdade”, comentou o psiquiatra especialista em dependência química, Jorge Jaber.


Segundo a Polícia Federal, o aumento no número de prisões de jovens de classe média está diretamente ligado ao crescimento do consumo de drogas sintéticas, como o ecstasy.
 

Família de jovem acredita que ele não tem envolvimento com o crime
 

Um dos presos na quarta-feira (11) foi um jovem de 25 anos, morador da Lagoa, bairro nobre da Zona Sul do Rio, que, segundo a Polícia Federal, é dono de uma boca de fumo no Morro do Turano, na Zona Norte. O rapaz de classe média alta também seria o responsável da quadrilha pela entrada de armas no país. A família diz que ainda não acredita no envolvimento do rapaz com o crime.


“O pai não se preocupa de ligar, acompanhar, onde é que o filho está, com quem está. Eu acho que se houver um pouco mais de atenção é possível perceber, né? A modificação, a atitude”, disse o delegado Victor César Carvalho, responsável pelo caso.
 

A Justiça Federal determinou que cinco jovens presos durante as operações fiquem isolados sob regime disciplinar diferenciado no presídio de Bangu I. Todos os presos negam as acusações.
 

PF procura seis foragidos
 

Na quinta-feira (12), os agentes voltaram às ruas do Rio para tentar prender os foragidos. Os carros de luxo apreendidos durante a operação estão no pátio da PF, na Praça Mauá, no Centro.
 


De acordo com os investigadores, os seis foragidos são todos jovens de classe média alta que moram em endereços nobres do rio de Janeiro. Para o delegado Victor César Carvalho, responsável pelo caso, a prisão deles é uma questão de tempo.

Quadrilhas movimentavam até R$ 1 milhão
 

De acordo com a polícia, os grupos enviavam "mulas" com cocaína para a Europa e as mesmas pessoas traziam de volta drogas sintéticas como ecstasy e LSD. Cada viagem custava em torno de R$ 20 mil e o lucro com a venda dessas drogas chegava a R$ 250 mil.


Com cerca de três a quatro viagens por mês, as quadrilhas movimentavam até R$ 1 milhão, caso os enviados não fossem pegos pela polícia. Traficantes dividiam os gastos das viagens ao exterior. A droga viajava em fundos falsos de malas e mochilas.


O armamento, ainda segundo as investigações, vinha do Paraguai para ser revendido no Rio de Janeiro. As armas apreendidas durante a operação seguiam para favelas e morro da cidade.
 


Os presos atuavam não só em favelas como em bares e boates nobres da cidade. Segundo a PF, a cocaína vinha do Paraguai e Bolívia e seguia para França, Portugal, Espanha e Holanda. As polícias francesa, americana e paraguaia cooperaram nas investigações.


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