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Negócio

Multinacional ADM deve arrendar a Cooagri por cinco anos

| DOURADOSINFORMA


A gigante americana de grãos e de álcool Archer Daniels Midland (ADM) está próxima de concluir o arrendamento das 18 unidades da Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cooagri), de Dourados.


O martelo deverá ser batido hoje, quando acontece a assembleia do Conselho Representante da Cooagri. A reunião já foi adiada duas vezes.


A proposta inicial da multinacional é arrendar a cooperativa por cinco anos, contrato que poderá ser renovado. Mas interessa mesmo ao grupo comprar os ativos da Cooagri, segundo fontes familiarizadas com a negociação. "A empresa pretende negociar diretamente com os associados para reativar todas as unidades e viabilizar a produção na região." A cooperativa tem 18 armazéns de grãos, concentrados no sul de Mato Grosso do Sul. Procurada, a ADM informou que não comentaria o assunto.


Segundo o presidente da Cooagri, Nivaldo Krüger, a proposta apresentada pela multinacional prevê o arrendamento da cooperativa por cinco anos, com investimentos iniciais de R$ 11 milhões.


Caso a proposta seja aceita pelos membros do Conselho de Representantes, a ADM também terá a opção de compra da Cooagri a partir do segundo ano de operação, quando a multinacional deverá fazer a venda dos ativos.


Dos R$ 11 milhões de investimentos iniciais, a ADM deverá destinar R$ 2 milhões em investimentos para manutenção dos armazéns, visando o início das operações, R$ 4 milhões para pagamento dos direitos trabalhistas dos mais de 350 funcionários da cooperativa, R$ 4 milhões em créditos para os produtores e aproximadamente R$ 1 milhão para pagamento de prestadores de serviços e demais credores da Cooagri.


Krüger explicou que a cooperativa e os credores ratearão pelo menos R$ 2 milhões por anos com o arrendamento. Depois de aprovada pelos associados, o arrendamento ou locação depende também da anuência dos bancos credores. A previsão é de que a ADM assuma o controle da Cooagri a partir de 20 de fevereiro.


Com cerca de 4 mil associados, a Cooagri começou a enfrentar problemas financeiros em meados de 2008. Ela havia entrado em fase de crescimento acelerado nos últimos anos, em movimento bastante dependente de empréstimos bancários - entre 2000 e 2006, seu faturamento passou de R$ 40 milhões para R$ 850 milhões. A dívida da cooperativa no momento em que os problemas começaram a vir à tona era de R$ 240 milhões.


A ADM não foi a única a apresentar projeto para assumir os ativos da cooperativa, mas o processo se encaminha para que a proposta da americana seja a vencedora. "A da ADM não é a melhor, mas a menos ruim", disse uma fonte familiarizada com as negociações ouvida pelo Valor.


A proposta inclui a criação de uma nova empresa, que tem sido chamada nas negociações, informalmente, de "Newco". Essa nova empresa assumiria os principais ativos da Cooagri. Os débitos, de acordo com o projeto, ficariam sob o guarda-chuva da "velha" Cooagri e seriam renegociados, com prazos mais dilatados para pagamento aos credores.


Os planos da americana para o Brasil são ambiciosos. Tradicional em grãos, a companhia começou a investir também na produção de álcool. Em 2008, a ADM formalizou parceria com o ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, para a construção de uma usina de álcool em Goiás. Outro projeto com o mesmo sócio poderá ser levado adiante, mas a empresa não confirma.


Líder na produção de álcool à base de milho nos Estados Unidos, a intenção da gigante é expandir os negócios no setor sucroalcooleiro no Brasil. A multinacional estuda parcerias com outros grupos nacionais com situação financeira delicada, segundo fontes do setor.
 


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