PUBLICIDADE
Agronegocios

ADM deve investir também no setor sulcroalcooleiro

| DIáRIO MS


A gigante norte-americana do agronegócio ADM (Archer Daniels Midland) assumiu a Cooagri, que opera no setor de grãos, de olhos em outro mercado, o do álcool e açúcar. O arrendamento das 18 unidades da Cooagri (Cooperativa Agropecuária e Industrial), sediada em Dourados, foi fechado na sexta-feira, após a aprovação do Conselho Representante dos Associados da cooperativa. O arrendamento depende agora da anuência dos credores da cooperativa. A expectativa é de que a multinacional assuma o controle da Cooagri a partir da próxima semana.
 


Segundo informações levantadas pelo Diário MS, a ADM assume a Cooagri com planos ambiciosos de expansão no Brasil. Tradicional em grãos, a companhia começou a investir também na produção de álcool. No ano passado, a ADM formalizou parceria com o ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, para a construção de uma usina de álcool em Goiás. Outro projeto com o mesmo sócio poderá ser levado adiante em Mato Grosso Sul, que é o Estado que tem apresentado o maior crescimento no número de usinas de álcool e açúcar.
 


No entanto, a empresa não confirma. Líder na produção de álcool à base de milho nos Estados Unidos, a intenção da gigante seria expandir os negócios no setor sucroalcooleiro no Brasil. A multinacional estuda parcerias com outros grupos nacionais com situação financeira delicada, segundo fontes do setor.
 


A direção da ADM no Brasil promete se pronunciar hoje sobre o arrendamento da Cooagri. A ADM não foi a única a apresentar projeto para assumir os ativos da cooperativa. “A da ADM não é a melhor, mas a menos ruim”, disse uma fonte familiarizada com as negociações, ouvida pelo Diário MS na sexta-feira.
 


A proposta apresentada pela multinacional inclui a criação de uma nova empresa, que tem sido chamada nas negociações, informalmente, de “Newco”. Essa nova empresa assumiria os principais ativos da Cooagri. Os débitos, de acordo com o projeto, ficariam sob o guarda-chuva da “velha” Cooagri e seriam renegociados, com prazos mais dilatados para pagamento aos credores.

ADM vai arrendar a cooperativa por cinco anos, contrato que poderá ser renovado. Mas, interessaria mesmo ao grupo a compra dos ativos da Cooagri, segundo fontes que acompanharam a negociação. “A empresa pretende negociar diretamente com os associados para reativar todas as unidades e viabilizar a produção na região”, disse uma fonte.
 


A cooperativa tem 18 armazéns de grãos, concentrados no sul de Mato Grosso do Sul. Segundo o presidente da Cooagri, Nivaldo Krüger, a proposta apresentada pela multinacional prevê o arrendamento da cooperativa por cinco anos, com investimentos iniciais de R$ 11 milhões. A ADM terá a opção de compra da Cooagri a partir do segundo ano de operação, quando a multinacional deverá fazer a venda dos ativos.
 


Dos R$ 11 milhões de investimentos iniciais, a ADM deverá destinar R$ 2 milhões em investimentos para manutenção dos armazéns, visando o início das operações, R$ 4 milhões para pagamento dos direitos trabalhistas dos mais de 350 funcionários da cooperativa, R$ 4 milhões em créditos para os produtores e aproximadamente R$ 1 milhão para pagamento de prestadores de serviços e demais credores da Cooagri. Krüger explicou que a cooperativa e os credores ratearão pelo menos R$ 2 milhões por anos com o arrendamento.
 


Com cerca de 4 mil associados, a Cooagri começou a enfrentar problemas financeiros em meados de 2008. Ela havia entrado em fase de crescimento acelerado nos últimos anos, em movimento bastante dependente de empréstimos bancários - entre 2000 e 2006, seu faturamento passou de R$ 40 milhões para R$ 850 milhões. A dívida da cooperativa no momento em que os problemas começaram a vir à tona era de R$ 240 milhões.

iniciaCorpo("12;11;14;12;16;13;18;14");


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE