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Tráfico

Lei do abate muda o cenário do tráfico

| O GLOBO


Com a implantação da lei do abate de aviões não identificados no espaço aéreo brasileiro, os traficantes de cocaína estão circulando entre Paraguai e Bolívia ainda por vias aéreas para depois passar a droga para o lado de cá por uma rota terrestre ou depois a aquática. As informações são dos jornais paranaenses “Gazeta do Povo” e “Paraná on-line”.

Segundo os dois jornais, documentos da ONU, de 2006 sobre a estrutura do tráfico dizem que “uma rota alternativa a partir dos países produtores de coca para o sul do Brasil tem sido cada vez mais usada desde que a lei que permite o abate de aviões no espaço aéreo brasileiro passou a vigorar”.
Os caminhos da cocaína partiriam da Colômbia para a Bolívia por via aérea, depois da Bolívia para o Paraguai, antes de entrar no Brasil em caminhões ou veículos menores via Ponta Porã ou Foz do Iguaçu no Paraná, de onde seguiria para o Porto de Paranagá, de onde iria para a Europa e África.
Já a droga que entra por Ponta Porã iria para os grandes centros nacionais das regiões sudeste e nordeste, passando algumas vezes por Dourados. Segundo o delegado chefe da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc do Paraná), Sérgio Sirino, os traficantes têm saído das cidades de Pedro Juan Caballero e Salto del Guairá, no Paraguai, direto para a cidade de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul”, diz um trecho da reportagem.
Baixo preço faz aumentar consumo
De acordo com relatório divulgado durante a semana pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), órgão ligado às Nações Unidas, o valor da cocaína recuou ao patamar de 1999 na Europa Ocidental, região onde a droga atinge suas melhores cotações.
No Reino Unido, segundo o jornal “Telegraph”, uma “carreira” da droga custa mais barato que um copo de vinho. Com 1,15 € (aproximadamente R$ 3,50) é possível fazer uso do entorpecente, sendo que o preço médio varia entre 2,25 € e 4,50 € (aproximadamente R$ 6,90 e R$13,60). AQ droga seria mais barata que o vinho que tem o preço médio de 4 € (aproximadamente R$ 12,15),
Além da crise propriamente dita, outros fatores levaram a esta redução, como a criação de novas rotas de abastecimento, que além de diminuir custos para os traficantes, aumentou a concorrência entre os cartéis e levou à realização de “promoções” para facilitar a venda do “estoque”.
Na América do Sul, a Venezuela é apontada como o principal ponto de passagem para a droga produzida na Colômbia, na Bolívia e no Peru, enquanto que, na África, países da região oeste, como Gana e Nigéria, são tidos como os principais entrepostos para a cocaína sul-americana.
Além da Europa, outros destinos bastante visados pelos traficantes são Estados Unidos, Oriente Médio e países do Leste e Sudeste Asiático. Em todos os casos, a África surge como ponto primordial para a logística das quadrilhas, cada vez mais sofisticada e difícil de ser detectada pelas autoridades antidrogas.
Colabora para essa situação a extrema pobreza dos países da África Ocidental, bem como a existência de estruturas débeis de governo e a pouca fiscalização praticada aos barcos que deixam os portos africanos em direção aos demais continentes, incluindo, a América do Norte.
Muito trabalho resulta em 10% das apreensões
Dados da Organização Nações Unidas (ONU) estimam que apenas 10% do que é traficado é descoberto pela polícia. Segundo o delegado chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal (PF) de Curitiba e região, Jonathan Trevisan Júnior, mesmo depois que algum traficante é pego, também não é fácil desbaratar a quadrilha. "No tráfico de qualquer tipo de droga você tem a honra dos traficantes e medo das mulas. Ninguém entrega ninguém. Eles preferem ser condenados a entregar alguém. Essa é uma grande dificuldade para a polícia", revela o delegado.
Segundo ele, a dificuldade em apreender a cocaína existe, pois o tráfico "formiguinha" é o mais comum. A mesma opinião do chefe da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) do Paraná, Sérgio Sirino. "Além da maneira de transportar ser mais sofisticada, o grau de confiança entre os membros do grupo é maior. Por isso eles buscam pessoas qualificadas para o serviço", comenta.
Mercado
Segundo dados da ONU, o Brasil tem 870 mil usuários de cocaína. As pessoas têm entre 12 e 65 anos e o consumo da droga só perde para os Estados Unidos, onde estima-se existir mais de 6 milhões de usuários. No Brasil os consumidores estão localizados em sua maioria no sul e sudeste. Segundo dados da Agência Reuters, com a vigilância dobrada na Bolívia, o Paraguai se transformou em um país de trânsito para a droga que é produzida nos países andinos. Segundo dados das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), em 2006, a Colômbia era responsável por 50% da plantação mundial de coca, enquanto o Peru produziu e 33% e a Bolívia 17%

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