PUBLICIDADE
Região

Mais de 300 índios participam da Aty Guassu em Amambai

| A GAZETA


Sérgio da Luz


Mais de trezentos índios, da etnia Guarani-Kaiowá, se reuniram nos dias 27 e 28 de fevereiro para a realização da Aty Guassu – Grande Reunião -, na Escola Guarani, na Aldeia Amambai. 


Entre os assuntos debatidos, a demarcação de terras foi o tema mais discutido. De forma geral, os índios querem a retomada dos estudos, paralisada em setembro do ano passado. Os estudos, iniciados em julho de 2008, visavam identificar as áreas antes habitadas por índios, que futuramente poderiam ser transformadas em reservas. 


“Só queremos o que é nosso por direito; não estamos pedindo nada que é dos outros; somente o que é nosso”, disse Otoniel Ricardo, que é vereador em Caarapó e junto com outros cinco vereadores montou uma comissão política para fortalecer os pedidos elaborados durante a Aty Guassu. Deve sair da Aty Guassu um documento que será enviado à Funai, pedindo a retomada dos estudos. É possível,  também, que as lideranças deliberem para que um grupo de indígenas viaje a Brasília  para cobrar rapidez  nas ações do órgão.


Participam do encontro lideranças políticas e religiosas, professores, vereadores indígenas, agentes de saúde e representantes da Cnpi (Comissão Nacional de Política Indigenista). Nenhum representante da Funai compareceu. “É lamentável que ninguém da Funai tenha vindo; mandamos convites para eles. Com eles aqui, poderíamos ter adiantado muitos assuntos; eles poderiam ter dado explicações de muitos problemas que estamos enfrentando”, disse Sérgio Cavallero, vereador em Laguna Caarapã.


 Impasse entre os índios - Durante a reunião, liderança indígenas de Dourados tinham um outro problema em mente: a saída de Margarida Nicoletti, chefe da Administração Regional da Funai, em Dourados. Os indígenas esperavam contar com o apoio dos demais líderes, o que não aconteceu. A maioria dos líderes aprovam a permanência da administradora.


“Há interesses políticos por trás de tudo isso lá em Dourados. Pessoas que não querem que as demarcações aconteçam influenciaram os índios para que eles peçam a saída da Margarida, já que ela apóia as demarcações”, revelou um dos líderes da aldeia Sossoró, em Tacuru.



Em Dourados, a luta pela saída de Margarida já gerou diversos protestos e até invasão da sede da Funai. O impasse gerou um mal estar entre os indígenas durante a reunião.



Outros assuntos também foram debatidos, como saúde, educação, sustentabilidade e a aprovação da criação da Aty Guassu como associação.


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE