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Caarapó

MS: Universitário é acusado de agredir professor dentro da sala

| MIDIAMAX


 A reitoria da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), em Campo Grande, define na tarde desta terça-feira (10) se suspende ou expulsa um acadêmico do curso de Medicina Veterinária acusado por um professor de agredí-lo dentro da sala de aula.
 

De um lado, o docente acusa o acadêmico de agressor e conta com o apoio de colegas professores. Já na outra ponta, alunos do curso reclamaram ao Midiamax o abuso de autoridade supostamente praticado pelo professor doutor que teria chamado os estudantes de “burros”.
 

Uma sindicância instaurada pela instituição, tida como uma das maiores do Centro-Oeste, apura o caso, que também fora registrado na Polícia Civil, sob o número 2897.
 

De acordo com o B.O., o professor Cristiano Marcelo Espinola Carvalho, 34, conduzia uma aula para os acadêmicos do 3º semestre de Veterinária, por volta das 20 horas de sexta-feira passada.
 

Ele sustenta que já com a aula em curso entrou na sala o acadêmico Fábio Enrico de Castro Pinto, 26, conhecido como Manuti, em visível estado de embriaguez. O prédio da UCDB é cercado de bares que vendem bebidas alcoólicas.
 

Cerveja na sala

O rapaz segurava na mão, segundo o docente, algo que parecia com uma lata de cerveja. Ao Midiamax o jovem confirmou ter tomado cerveja, mas não garante que não levou bebida para a sala.
 

O acadêmico levantou-se logo depois de entrar na aula e ficou na porta da sala, quando o professor o seguiu em sua direção e pediu para acompanhá-lo até uma outra sala, que seria a do departamento de Veterinária.
 

Fábio, o Manuti, teria reagido à recomendação dizendo que não ia, e assim se manifestado contra o professor: “você é um bosta, porcaria, não vale nada, é um vagabundo”.
 

Em seguida, narra o professor Cristiano Carvalho no boletim policial, o acadêmico avança sobre ele agredindo-o fisicamente.
 

Ainda na ocorrência registrada, o professor disse que a cena fora assistida pelos outros acadêmicos que acompanhavam a aula. Fábio, contudo, afirma que 15 colegas viram a discussão e admite ter "perdido a cabeça", mas afirma que a "situação de humilhação estava insustentável".
 

Arma

Cristiano Carvalho disse ter sido socorrido pelos estudantes. Fábio afirma que os colegas seguraram-no e nega ter dado socos e pontapés no professor. "Dei uma peitada nele", diz.
 

O professor declara no boletim que, após a agressão, deixou o prédio da universidade e que, antes, fora avisado pela pró-reitora que cita apenas como Conceição, que havia nos corredores da UCDB dois acadêmicos que o procuravam e, um deles, estaria armado.
 

Ele, então, segue para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), na rua Antonio Maria Coelho, região central de Campo Grande.
 

A agressão teria sido sofrida por volta das 20 horas e o professor registrara a ocorrência às 22h19. O caso, registrado como lesão corporal dolosa [intencional], e injúria, será investigado pela 2ª Delegacia da Polícia Civil, situada no bairro Monte Castelo. O jovem não prestou depoimento à polícia.
 

Outro lado

A reportagem do Midiamax entrevistou o acadêmico nesta manhã, na UCDB, onde ele assistia aula.
 

As duas versões serão apresentadas à reitoria da UCDB. Fábio, um jovem forte, louro, alto e de fala simples, disse que na sexta-feira à noite “bebeu umas cervejas” e foi para a sala. No dia anterior ele havia chegado atrasado e o professor, segundo ele, teria lhe constrangido em frente aos colegas. "Mas, eu me calei".
 

O acadêmico disse que nesta noite da briga, entrou na sala e não aguentou permanecer ali. Saiu "para fumar um cigarro e tomar tereré". O professor o seguiu e o convidara para seguir até uma outra sala.
 

A peitada

Ele conta ainda que voltou para a sala de aula e disse na frente dos colegas que não seguiria o professor. "Se ele quisesse conversar tinha que ser na frente de todo mundo", conta.
 

O professor teria perguntado "por que?" e "abriu o peito", conta Fábio. Nesse instante, o estudante disse ter "trombado nele" e os dois cairam ao chão. Depois disso, os acadêmicos colegas o separou do professor.
 

Fábio Castro Pinto, o estudante, disse que ninguém de sua turma gosta do professor, mas que reconhece o erro.
 

O curso de Veterinária é ministrado durante o dia, mas na semana passada o professor ministrava uma disciplina extra, sobre imunologia, por isso as aulas foram dadas à noite.
 

“Ele [professor Fábio] é um arrogante, diz que a gente serve somente para mascar fumo, somos xucros, o cara nos discrimina o tempo todo”, disse o acadêmico.
 

“Ele disse também que lá fora ninguém vai respeitar a gente, que a gente é burro, não sabe nada. Sou homem”.
 

Xucros

A reportagem ouviu colegas de Fábio, que o defenderam. Alguns deles, que não quiseram ver os nomes publicados, repetiram o que o acadêmico acusado de agressão, já havia dito: que o professor é arrogante e diz com freqüência na sala que “alunos são burros e xucros”.
 

“Pergunte a quem quiser: quem gosta do Manuti e quem gosta do professor?”, sugeriu um acadêmico do quinto semestre, amigo de Fábio Carvalho.
 

O acadêmico em questão disse que aguarda a decisão da sindicância. Ele nega uso de armas ou ameaças ao professor.
 

“Quero que resolvam logo, se tiver de sair saio logo e procuro uma outra universidade para estudar”, disse o rapaz, que vestia nesta manhã calça jeans, camiseta, usava um boné, calçava botinas e segurava uma cuia de tereré.
 

O coordenador do curso de Veterinária, Luiz Córdoba Bragança, que integra a sindicância que apura o caso, informou ao Midiamax que a reitoria define até hoje à tarde se pune ou acadêmico com suspensão ou expulsão.
 

Ele descartou a hipótese de os acadêmicos ter usado arma na universidade. E acredita que o caso será solucionado "da melhor forma possível". 


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