PUBLICIDADE
Política

Falso complô teria propósito de afastar Delcídio de Zeca do PT

| MIDIAMAX


Novas informações sobre o Caso Agehab conduzem à conclusão de que tanto o senador Delcídio Amaral como o deputado federal Vander Loubet são vítimas do suposto complô político inventado pelo golpista Ademar Pereira Mariano. O deputado foi citado por Ademar como o mentor de um plano para prejudicar o senador. Entretanto, essa versão foi desmentida pelo próprio golpista, em outro depoimento. Mas até aí a confusão já havia sido criada.


Ontem, em discurso da tribuna do Senado, Delcídio do Amaral elogiou a atitude de Vander de pedir rigorosa investigação policial e já não demonstrou crer na versão inicial passada pelo golpista, de que agia a mando do deputado para prejudicar o senador. Ganha força a hipótese de que tanto Vander quanto Delcídio são os alvos de quem, de fato, esquematizou o plano.


Hoje pela manhã Vander e Delcídio chegaram juntos ao encontro com o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini. Em entrevista conjunta, descartaram qualquer complô dentro do PT tentando incriminar um ou outro. Disseram que, analisando os três depoimentos já prestados por Mariano, “está ficando cada vez mais claro que não tem cabimento essa história de complô dentro do PT.”


Senador e deputado ainda fazem um alerta: Se o complô partiu de fora com a intenção de rachar o PT vai fazer exatamente o efeito contrário. A tese de que a intenção de quem armou a confusão toda seria afastar ainda mais o senador do ex-governador Zeca do PT, tio de Vander, surgiu no dia seguinte à divulgação do teor do primeiro depoimento prestado por Mariano.


A versão


Ele disse que agia a mando de Vander, vendendo acesso a casas populares e dizendo a quem comprava que trabalhava para o senador Delcídio. Como as pessoas não ganhariam as casas, porque toda a negociata era fajuta, a reação seria se revoltar contra o senador. O que Vander ganharia com isso? O comando do PT, que será disputado em novembro.


A versão tem muitas inconsistências. Até porque, o próprio Delcídio confirmou que tinha conhecimento da atuação de Mariano desde novembro. O golpista agia dizendo ter ligação com o senador. Delcídio alertou o secretário estadual de Habitação, Carlos Marun, que pediu à Polícia Civil para investigar.


Outro detalhe: Mariano aplicava os golpes desde agosto do ano passado. Nessa época o PT nem havia decidido antecipar as eleições internas, que deveriam acontecer só ano que vem. Também nem havia a pré-disposição de Zeca em disputar o comando do partido. Delcídio e Zeca estavam envolvidos nas campanhas de prefeitos pelo interior.


A tese de que Mariano teria sido orientado a inventar o falso complô de Vander contra Delcídio ganha força pelas circunstâncias em que o golpista foi preso, e toda a história veio a público. Mariano foi barrado na sexta-feira no posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Terenos, pelo patrulheiro Wolney de Almeida Lima. Ele portava documentos falsos, por isso foi preso.


“Eu quero informação a respeito de quem vazou essa fita, quem gravou. Tudo. A mando de quem. Não quero levantar suspeita sobre ninguém”, disse Vander. Alessandra Carvalho


“A partir de agora vamos tomar pé das investigações juntos. Vamos à Polícia Federal, à PRF. Não quero jogar a culpa em ninguém, prefiro ser cauteloso. Prefiro esperar as investigações para saber de onde vem isso. Mas já tenho uma certeza: do PT não foi”, completou Delcídio.


Ainda ontem, depois da visita do deputado Vander Loubet, o superintendente da PRF, Valter Favaro, afastou Wolney das funções. O patrulheiro havia pedido férias, mas foram suspensas pelo superintendente.
 


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE