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Orkut, a invenção criada para multiplicar amizades vira uma ferramenta 'traiçoeira'

| MIDIAMAX


A internet, principalmente páginas de relacionamento como o Orkut, tornou-se com o tempo forma de marcar encontros, discutir, jogar conversa fora e buscar dados diversos, inclusive sobre a vida alheia.
 

Sua utilização é crescente seja pela necessidade natural de cada um de nós em entrar em contato com outras pessoas ou por simples curiosidade sobre os atos e gostos do outro. O fato é que páginas como o Orkut são também portas de entrada para informações pessoais que podem gerar transtornos a seus membros virtuais.
 

O Orkut, como qualquer ferramenta, pode ser usado para o bem ou para o mal. Tanto que perfis de diversas pessoas estão sendo utilizados como pistas para bandidos “escolherem” suas próximas vítimas e para policiais identificarem resquícios que possam levar a criminosos.
 

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, já são conhecidos casos em que criminosos e policiais se valem, com intenções distintas, do mundo virtual para conseguir informações para seus atos.
 

O Midiamax fez um levantamento dos casos mais recentes em que o mundo virtual contribuiu ou para gerar ou para auxiliar na solução de crimes reais; e também serviu de fonte jornalística à imprensa local em momentos onde as informações sobre os fatos relacionados às referidas transgressões eram truncadas.
 

Maníaco da cruz
 

Caso que consternou não só a pequena cidade de Rio Brilhante, com cerca de vinte mil habitantes, mas todo o Mato Grosso do Sul, o “maníaco da cruz”, como ficou conhecido o adolescente de 16 anos que matou um homem e duas mulheres naquele município. Por intermédio também da internet, ele conhecia suas possíveis vítimas; pessoas que, para ele, levariam uma “vida desregrada”. Na mente dele, quem levava “vida desregrada” eram mulheres e homens homossexuais ou que saiam para festas apenas para se divertir.
 

Ele ameaçava as vítimas com uma faca e após matá-las (geralmente enforcadas), colocava o corpo em posição de crucificação (pés juntos e braços abertos), o que o levou a ser conhecido como “maníaco da cruz”.
 

Também pela internet, uma parte de seu perfil psicológico e social pode ser traçado ainda durante investigação policial. Ele possuía três perfis no Orkut, todos tinham cunho de satanismo. Imagens e fotos macabras (como em cemitérios) e formas sombrias de se expressar marcavam os textos produzidos por ele e deixados por colegas internautas. Dog Hell (Cão do Inferno, em inglês) era um dos seus perfis.
 

Este caso demonstrou os perigos de trocar informações pessoais pela internet, já que muitas pessoas que com ele conversavam poderiam ser mortas posteriormente. Também mostra que a própria internet pode ser usada para chegar a criminosos, já que a Polícia Civil se valeu de muitas informações contidas nas páginas do adolescente – hoje cumprindo pena em Ponta Porã – para comprovar a veracidade sobre a autoria dos crimes, ou, pelo menos seus motivos.
 

Até mesmo a imprensa utilizou diversas de suas frases expostas nos perfis. Além das fontes pessoais, o Orkut, passou a ser instrumento de apuração do jornalismo.
 

Morte de policial
 

O caso da policial civil Elaine Orlando Viana Yamazaki, 35 anos, assassinada pelo colega de trabalho, Cleideval Antônio Vasques, 47 anos, no dia 13 de março também teve o Orkut como pistas para Polícia e jornalista. Como as páginas são abertas, diversos recados de amizade entre eles puderam ser vistas. Cleideval, em seu perfil, colocava fotos de um de seus dois filhos na internet, o que poderia expor a criança a constrangimentos futuros em decorrência da ação criminosa do pai.
 

Professor bate em aluno
 

Como as páginas são pessoais, mas, caso seus detentores autorizem, podem ser vistas por qualquer internauta, a imprensa também se vale das informações como fonte.
 

Um caso sem maiores vultos quanto os demais foi o do acadêmico que teria agredido um docente na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco). Fábio Enrico de Castro, 26 anos, foi expulso da instituição de ensino. A reitoria da universidade não repassava informações sobre o caso no princípio dos rumores. Currículo e demais informações sobre o professor foram conseguidos após visita a sites de informações docentes e pessoais (mas públicas), como o Orkut.
 

Zeolla
 

Algumas informações sobre Cláudio Zeolla (24 anos) – morto por seu tio, o procurador afastado Carlos Alberto Zeolla (44 anos), preso após confessar o crime –, foram colhidas, tanto pela imprensa quanto pela Polícia de seu perfil no Orkut (que é público). Por intermédio do Orkut, foi possível verificar que o rapaz tinha uma namorada e que não convivia de forma harmoniosa com a família.
 

Claudio foi morto com um tiro à queima-roupa na nuca quando ele saia da academia de musculação na rua Pernambuco, área nobre da Capital no dia 3 de março. O assassino confesso conseguiu autorização judicial para internar-se em uma clinica de Campo Grande; ele está desde quarta-feira na Clínica Carandá, nos altos da avenida Mato Grosso.
 

Dicas de segurança
 

Como, geralmente, as páginas de relacionamento são acessíveis em qualquer parte do mundo através da internet e tem permissão para livre entrada ao perfil dos usuários, as possibilidades de informações pessoais serem utilizadas contra os participantes deste “mundo virtual” são inumeráveis.
 

Não há, na imensa maioria das vezes, trabalhos de identificação do usuário a partir de documentos reconhecidos em Lei no instante em que cria um novo perfil [sem entrar em consideração aqui se isso seria ético ou não; ou moral ou não].
 

Os “perigos” de páginas de relacionamentos da internet foram motivo de artigo no UOL. O especialista no assunto Marcos Sêmola – diretor de IT Governança, Risco e Compliance da Shell na Holanda – demonstra formas de esquivar-se de possíveis constrangimentos e transtornos no texto por ele escrito (“Evite perigos no Orkut”) publicado ainda em 2006 no site da UOL.
 

“Qualquer que seja a razão para fazer parte desta comunidade, é preciso conhecer também os perigos associados ao novo ambiente, definir seu perfil de risco e adotar mecanismos de defesa para evitar armadilhas”, começa o especialista.
 

O risco mais “imperceptível”, segundo Sêmola, “é o fato de estar reduzindo sua própria privacidade e criando trilhas de auditoria em sua própria vida, onde fatos e fotos contam sua história na linha do tempo a qualquer um que se interesse por ela. O perigo mais destrutivo está no fato de disponibilizar indiscriminadamente detalhes demais sobre sua vida e a de sua família, potencializando todo tipo de golpe, que pode começar por uma simples ameaça, passando por chantagem, o roubo de identidade, a fraude financeira, calúnia e até mesmo maximizar a tentativa de sequestro”.
 

Confira as medidas preventivas apontadas pelo especialista internacional em segurança no mundo virtual Marcos Sêmola.
 

1. Evite utilizar senhas óbvias ou fáceis demais e sempre a substitua com regularidade ou sempre que desconfiar de sua confidencialidade.
 

2. Evite publicar informações muito pessoais, que em geral, só sua família ou pessoas muito próximas deveriam ou poderiam saber.
 

3. Evite informar telefones de contato e endereços físicos, a não ser que exista um interesse comercial no uso do serviço.
 

4. Evite exibir fotografias que exponham detalhes de sua residência ou trabalho, ou ainda, fotografias que permitam dupla interpretação.
 

5. Evite publicar fotografias que exponham outras pessoas de seu convívio, especialmente familiares, a menos que previamente autorizadas.
 

6. Evite autorizar pessoas desconhecidas, mesmo que lhe pareçam familiar ou lhe tenham enviado uma mensagem de solicitação. Lembre-se do conceito de herança de confiança, isso poderá representar uma ameaça aos seus amigos.
 

7. Evite criar e entrar em comunidades de gosto duvidoso ou simplesmente com título e descrição que são sejam inteiramente alinhadas ao seu perfil. Você pode ser mal interpretado.
 

8. Evite utilizar fotografias em seu perfil que simbolizem algo muito diferente do que você realmente é. Desta forma, evitará atrair pessoas mal intencionadas ou compatíveis com o simbolismo equivocado transmitido pela imagem.
 

9. Habilite o recurso de identificação do visitante. É uma boa forma de conhecer o perfil de quem tem se interessado em conhecer você e assim, lhe permitirá identificar possíveis equívocos na definição do seu perfil e na escolha das fotografias.
 

10. Não clique em links enviados através da rede de relacionamentos, pois além de não haver qualquer razão aparente para se usar este recurso, esses têm sido alvos de ataques de phising.
 

11. Nunca confie inteiramente no que é escrito e disponibilizado na rede de relacionamentos. A fragilidade dos processos de identificação não garante a autenticidade dos usuários e a integridade das mensagens.

 

12. Não haja como se a Internet e o próprio ambiente da rede de relacionamentos fossem um playground onde tudo é brincadeira. Assim, tome cuidado ao criar e entrar em comunidades que ferem direitos, que tenham qualquer associação ao crime ou representem gostos duvidosos. De alguma forma, sua escolha reflete uma vontade e um pensamento e você poderá, mesmo que inconscientemente, ser confundido.

13. Como parâmetro de decisão, evite disponibilizar qualquer informação que você não teria coragem de contar ao sorveteiro que lhe vendeu o picolé de chocolate no último domingo de sol. Isso porque até ele poderá ser também usuário da rede de relacionamentos.


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