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Produtores podem boicotar frigorífico Independência

| MIDIAMAX


De duas uma: ou a rede de frigoríficos Independência oferece garantias aos credores pecuários sul-mato-grossenses, aos quais deve R$ 50 milhões, ou vai enfrentar dificuldades em reabrir suas unidades no Estado porque boi daqui não será negociado com a empresa.
 

É o que afirmou o presidente da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Ademar Silva Júnior, na manhã desta quinta-feira durante a reunião com ao menos 200 pecuaristas que têm dinheiro para receber do frigorífico.
 

O Independência é um dos maiores exportadores de carne bovina no Brasil e suspendeu em fevereiro passado os abates em suas dez unidades, três das quais em Mato Grosso do Sul. Agora, pensa em retomar as atividades.
 

De acordo com o comando do frigorífico, as unidades foram fechadas por “falta de fluxo de caixa” e a dívida da empresa já teria alcançado R$ 3,16 bilhões.
 

O Independência entrou com o pedido de recuperação judicial, mas a solicitação ainda não fora examinada. Se concordada, a empresa, desde que se comprometa a quitar suas dívidas, é autorizada a reabrir as portas.
 

Se não aceito o pedido, a justiça pode decretar a falência do empreendimento. A decisão deve ser anunciada na semana que vem.
 

Patrimônio

Brito Júnior disse que o Independência deve cerca de R$ 50 milhões a pelo menos 250 pecuaristas sul-mato-grossense. Um só credor vendeu R$ 1 milhão em gado para o frigorífico e não recebera nada pelo negócio, informou a Famasul.
 

Na reunião de hoje, a entidade recomendou aos pecuaristas que não vendam animais para frigorífico sem que haja um acordo judicial ou extra-judicial, que garanta o pagamento da conta passada.
 

Brito Júnior defende a idéia de que até parte do patrimônio dos diretores do Independência entre como garantia da dívida.
 

Reabrindo os abatedouros em Campo Grande, Anastácio e Aquidauana, o frigorífico pagaria a vista pelos animais. A idéia não agrada a classe produtora, segundo o chefe da Famasul, que fez uma analogia da medida anunciada.
 

“É como se você trabalhasse por 30 dias, não recebesse o salário, fosse demitido, e no mês seguinte a empresa contratasse outro empregado e ainda lhe pagasse pelos 30 dias que ainda não trabalhou”.
 

Créditos
 

“Não estamos vivendo uma queda-de-braço com o frigorífico, torcemos para que e ele volta a operar aqui no Estado, isso é bom para o mercado financeiro, do trabalho, mas queremos que o pecuarista tenha a garantia de que vai receber o que já negociou”, disse o presidente da Famasul.
 

A explicação de Ademar Brito Júnior revela que o mercado do boi é arriscado, contudo, rentável se distante das intempéries financeiras. Prova disso é o montante cobrado do frigorífico. Ele disse que a dívida de R$ 50 milhões acumulou porque o Independência deixou de pagar os pecuaristas num período de 30 dias.
 

De acordo com a assessoria da Famasul, o frigorífico anunciou no final do ano passado a demissão de pelo menos seis mil empregados, volume que representa a metade do quadro total da empresa antes da crise.
 

No último dia 5, contudo, o comando do frigorífico, informa a assessoria, a empresa divulgou que iria retomar as atividades na unidade de Janaúna (MG), com a recontratação de 300 funcionários.


Já na segunda-feira desta semana (20), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Nova Andradina, Sérgio dos Santos, informou que o Independência retomaria as atividades no município.


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