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'Vamos governar para todos e não apenas para quem confiou em nós', diz Reinaldo

| DOURADOSNEWS


 Eleito no domingo passado com 741.516 votos, o deputado federal e governador de Mato Grosso do Sul a partir do dia 1º de janeiro, Reinaldo Azambuja (PSDB), concedeu entrevista, três dias após o pleito eleitoral.

Nas respostas, encaminhadas via e-mail, o futuro chefe do Executivo estadual disse que governará para ‘todos e não apenas os que votaram nele’.

Em relação à transição, Azambuja afirmou que já conversou com o atual governador, André Puccinelli (PMDB) e que tentará unir toda a bancada local em Brasília para buscar recursos para o Estado, incluindo ai, o adversário durante a campanha, senador Delcídio do Amaral (PT).

“Agora, a eleição acabou. Vamos olhar para frente. Já recebi a ligação do senador Delcídio, parabenizando pela eleição, dizendo que também está à disposição da bancada federal para ajudar”, contou o ex-prefeito de Maracaju, que destacou ainda que instalará a governadoria regional, em Dourados.

Confira a entrevista na íntegra:

A que o senhor atribui a vitória nessas eleições?

Reinaldo Azambuja - Foi uma vitória da boa política, da prioridade das pessoas e não dos governantes. Eu sempre disse que ninguém aguenta mais um governo que não conversa com a sociedade. Com o projeto Pensando Mato Grosso do Sul, estive durante um ano e meio conversando com a sociedade, discutindo os problemas, trabalhando um projeto de governo que atenda as prioridades da população. Acho que este projeto é que saiu vitorioso. As pessoas acreditam nessa nova política, política com decência, com transparência e respeito ao dinheiro público.

DN - Como acredita que herdará o Estado a partir do dia 1º de janeiro?

RZ - Tive uma conversa com o governador, assim que saiu o resultado das urnas. Ele me ligou franqueando a abertura para a gente construir a equipe de transição. Essa equipe de transição vai ser importante para conseguirmos esse diagnóstico.

DN - Como pretende governar o Estado?

RA - Ouvindo e respeitando as prioridades das pessoas, que hoje são saúde, segurança e educação. Vamos fazer um governo realmente próximo das pessoas, que é para elas que temos de governar. Nós vamos governar para todos e não só para aqueles que confiaram em nós, mas para 100% da população do Estado. As pessoas podem confiar no nosso trabalho. Vamos governar de acordo com as necessidades de cada região.

 

DN - Já pensa na formação do novo secretariado?

RA - Começamos a conversar com algumas pessoas que podem compor o nosso governo, mas não temos ainda nomes definidos para secretarias. Queremos que os nossos secretários sejam fichas limpas, pessoas preparadas para o papel que terão que desenvolver para o nosso Estado. Até em respeito ao eleitor, eu preferi esperar o resultado das urnas para só depois discutir nomes. Em relação às secretarias, eu tenho o compromisso de desmembrar a Seprotur, já tinha anunciado em um seminário na Fiems e lá na Famasul, que nós iríamos dividir a Seprotur em uma Secretaria de Agricultura, Pecuária, Vigilância Sanitária e Agricultura Familiar e outra de Indústria, Comércio, Serviços e Turismo. Nós vamos também criar a Superintendência de Assuntos Indígenas para ser o canal de diálogo aberto com as comunidades. Foi uma solicitação dos indígenas, de cerca de 40 lideranças de todas as etnias que têm em Mato Grosso do Sul. Estamos também pensando em fundir algumas secretarias até para diminuir o tamanho e o custeio da máquina.

DN - Durante a campanha eleitoral houve um embate muito forte entre o senhor e o senador Delcídio do Amaral (PT), que continua senador. Como será o relacionamento, de sua parte, com o agora ex-adversário, neste ciclo de governo?

RA - Nós enfrentamos uma eleição complicada, com muitos ataques, enfrentando a mentira de institutos de pesquisa que não são sérios. Agora, a eleição acabou. Vamos olhar para frente. Já recebi a ligação do senador Delcídio, parabenizando pela eleição, dizendo que também está à disposição da bancada federal para ajudar.

DN - Existe a possibilidade de uma reaproximação com Delcídio?

RA - Nós vamos governar para 100% da população e não queremos ver a bancada federal dividida. A eleição acabou e precisamos da ajuda de todos para melhorar a vida das pessoas. Então, eu não vejo problema em construir esse diálogo.

DN - O que pretende fazer neste período antes de assumir o Parque dos Poderes?

RA - Eu vou tirar uns cinco dias para descansar com a família e, logo em seguida, vou me reunir com o atual governador para discutir a instalação da equipe de transição. Vamos pedir para encaminhar, ainda neste ano, as mudanças que precisarem ser feitas nas secretarias para que a Assembleia Legislativa aprove.

DN - O que será essencial em seu governo e que a população pode esperar?

RA - As prioridades são aquelas elencadas pela população durante o Pensando MS. A saúde é a maior das prioridades, depois vem a segurança e a educação. A primeira medida será o mutirão da saúde, levar a saúde para o interior, fazer funcionar os polos regionais da saúde, os hospitais regionais, com atendimento médico e diminuir aquela enorme fila de cirurgias eletivas de pacientes que estão esperando há 2, 3 ou 4 anos. Também vamos mudar a lei de incentivos para interiorizar o desenvolvimento. Não dá mais para ter bolsões de riqueza e pobreza em Mato Grosso do Sul.

DN - A região da Grande Dourados terá algum papel no seu comando? Qual?

RA - Nós temos que aproximar o governo do Estado da região de Dourados. Vamos implantar a Governadoria Regional para desenvolver políticas públicas para atender a população, alavancar as potencialidades e gerar emprego e renda. É um compromisso nosso interiorizar o desenvolvimento. Hoje se você precisa de um licenciamento ambiental, por exemplo, você precisa sair de Dourados e ir para Campo Grande. Se você precisa resolver uma questão com o Fisco, você não resolve em Dourados, embora tenha uma Agenfa. Nós precisamos interiorizar o governo não só para Dourados, mas também para outras regiões, usando tecnologias modernas.

DN - O senhor pretende se encontrar com o ainda governador, André Puccinelli antes de tomar posse?

RA - Já conversamos por telefone, ele me ligou quando vencemos a eleição, e vamos voltar a conversar no momento de montar a equipe de transição.

"O grande problema dos governos que nos sucederam foi o de atender as prioridades dos governantes e não da população"

— Reinaldo Azambuja, governador eleito no MS

DN - Como você avalia a atual situação do Mato Grosso do Sul a qual irá assumir?

RA - O grande problema dos governos que nos sucederam foi o de atender as prioridades dos governantes e não da população. Agora, só vamos ter um retrato mais fiel da situação do governo com o trabalho da equipe de transição, que vamos montar, e melhor ainda quando assumirmos o governo, em janeiro.

DN - Em relação à Assembleia Legislativa, como o senhor vê o atual desenho?

RA - Acredito que vamos ter o apoio de quase todos os 24 deputados. Já começamos o segundo turno com o apoio de 15 dos 24 deputados eleitos. Eu fui deputado estadual e sei a importância da Assembleia Legislativa para aprovar os projetos de interesse da população.

DN - Acredita que terá dificuldades para governar?

RA - Eu acredito na maturidade e harmonia dos Poderes. A gente acompanha hoje um País dividido. Acho que um governo federal que prega a união tem que pregar a unidade dos Estados, independente de partido. Nós não governamos para partido, nós governamos para pessoas. Mato Grosso do Sul foi o Estado da União que menos recebeu recursos de transferências voluntárias nos últimos 10 anos. Então, temos que pedir realmente a participação do governo federal para ajudar a cuidar da segurança nas fronteiras, que estão abertas hoje, escancaradas, o governo federal tem responsabilidade nisso. Precisamos também do apoio do governo federal para obras estruturantes de infraestrutura. Nós temos um Estado que produz muito e que o setor industrial também cresce, mas estamos perdendo competitividade por não termos portos e ferrovias. E a nossa relação com a bancada federal e estadual deve ser muito boa, até pelo que os deputados e senadores têm demonstrado.


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