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'Importância econômica, social e localização fizeram Dourados ser escolhida para o Sisfron'

| DOURADOSNEWS


No comando da 4° Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, Brigada Guaicurus, o general Rui Yutaka Matsuda é o entrevistado da semana. Na conversa, ele fala do trabalho à frente da Brigada e sobre o Sisfron (Sistema de Monitoramento Integrado da Fronteira) que começa as atividades nesta quinta-feira (13), em Dourados.
 

Após o projeto-piloto em Dourados, o Sisfron será implantado em outras partes do país a um custo total estimado em R$ 12 bilhões e é um dos principais investimentos recentes do Ministério da Defesa para estruturar a segurança nas fronteiras e barrar, principalmente, a prática de crimes como o tráfico de drogas e armas.
 

Matsuda veio de Brasília para assumir a função de comandante da Brigada. Ele afirma que recebeu a incumbência com “grande honra, tendo em vista que aqui é um dos principais projetos estratégicos do exército”.
 

O general afirma que a partir de agora o foco da Brigada, devido até ao Sisfron será o desenvolvimento de recursos humanos.
 

“Os projetos da Brigada, como consequência até do Sisfron é a partir de agora focar na parte de desenvolvimento de recursos humanos. Todo esse aparato tecnológico que está sendo trazido para cá para Dourados, ele necessita de um perfil diferente de recursos humanos que tenha uma grande capacidade de lidar com esses equipamentos.”
 

Confira a entrevista na íntegra:

DN- Fale um pouco sobre o que é o Sisfron?

General Rui Yutaka Matsuda - O Sisfron, o nome é uma sigla que significa Sistema de Monitoramento Integrado da Fronteira e tem a intenção de ajudar a população local e a região de faixa de fronteira na sua fiscalização e na coibição dos ilícitos transfronteiriços. Então, dentro desse aspecto, a missão principal do exército é usar o nosso potencial excedente de meios e de capacidades para poder auxiliar e estar atuando integradamente junto aos órgãos de segurança pública para tentar também ajudar a população nessa missão.

DN Como o Sisfron irá funcionar?

RYMEle é basicamente dividido em três partes. Uma parte é a fase de distribuir ao longo de toda a fronteira, não só em Mato Grosso do Sul, mas em todo o Brasil, diversos sensores que tem alto valor tecnológico agregado. São radares, veículos aéreos não tripulados com câmeras de longo alcance, equipamentos de visão noturna que vão propiciar você a enxergar da mesma forma como se estivesse de dia, satélites no futuro e diversos outros setores que podem ser utilizados nessa faixa de fronteira. Integrado a esses sensores, existe a forma como esses dados são transmitidos para o centro de operação. Então imagine por exemplo, uma fotografia de um carro suspeito. Será registrada a placa deste carro e imediatamente ela pode ser transmitida para diversos locais onde estão equipes de especialistas que vão analisar e transformar, por exemplo, numa ordem para prender esse veículo. Então, toda essa informação pode chegar à presidente da república pra que ela possa tomar uma decisão. Dependendo da gravidade da situação, está acessível online para todos os decisores nos diferentes níveis em termos de ordem para atuação, seja de tropas do exército, órgãos de segurança pública, por exemplo, pra apreender essa viatura, essa pessoa, uma carga e assim por diante.

O general afirma que a partir de agora o foco da Brigada, devido até ao Sisfron será o desenvolvimento de recursos humanos. (Foto:Rodrigo Bossolani)O general afirma que a partir de agora o foco da Brigada, devido até ao Sisfron será o desenvolvimento de recursos humanos. (Foto:Rodrigo Bossolani)

DN- Quem ficará a frente do monitoramento desses equipamentos?

RYMO monitoramento nós vamos coordenar, o exército, seja em Dourados, seja em Campo Grande, seja em Brasília, mas ele estará à disposição de todos os órgãos de segurança pública e outros órgãos também que não especificamente de segurança pública, como por exemplo, a receita federal, para compartilhar esses dados que estarão disponíveis no nosso centro de operação e a partir daí tomar uma decisão. Um exemplo: entrou uma carga com descaminhos pela fronteira e esse dado chega até o centro de operação que nós temos aqui em Dourados montado já. A a partir daí, um integrante da receita federal vai ter acesso a esse dado e pode acionar o seu próprio pessoal para fazer apreensão ou pode inclusive solicitar o auxilio de algum órgão em segurança pública ou do próprio exército que esteja mais perto dessa carga para poder apreende-la.

DN- Qual então a principal finalidade do Sisfron?

RYMO principal aspecto para a população em geral é coibir os ilícitos transfronteiriços, ou seja, tráfico de armas e de drogas, seja de contrabandos de diversos tipos, isso vai ser alguma coisa que vai afetar diretamente no sentido positivo a população. Para nós é como estamos dizendo, vamos estar usando o excedente de capacidade do exército para auxiliar mas ele servirá também para nós podermos fazer com que se valha a nossa missão principal que é a defesa externa.

DN- Por que Dourados foi escolhida como cidade piloto deste projeto?

RYMÉ uma decisão estratégica do exército por diversos fatores. A gente não toma uma decisão só por um único fator ou dois, são diversos fatores que são analisados. Um pela localização, outro pela importância da região. Acabo de dar uma palestra agora para a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e explicamos exatamente que a nossa percepção é que essa região Conesul do Mato Grosso do Sul, tem a tendência de se transformar numa região estratégica para o Brasil. Esse é um dos fatores que pesou nesta decisão. Segundo aspecto, logicamente pelos problemas que existem aqui na região que afetam todo o Brasil. E, terceiro por estar debruçado na fronteira que é a nossa principal prioridade, não só aqui mas toda fronteira terrestre brasileira é prioridade para o Exército Brasileiro.

DN- Recentemente o ministro da defesa esteve vistoriando as obras do Sisfron. O que ele achou? Qual foi o posicionamento dele?

RYMEle demonstrou um grande entusiasmo com o projeto, com o andamento das ações, em especial eu diria que ele não se surpreendeu tanto pelo material que nós estamos recebendo pois ele já tinha ciência disso. Mas ele demonstrou um grande entusiasmo com relação a sociedade e aos recursos humanos que estão aqui, que ele teve contato e pode perceber o perfil do pessoal muito pró ativo e muito voltado para tentar viabilizar o projeto.

DN- Então ele ficou bem satisfeito?

"O principal aspecto é coibir os ilícitos transfronteiriços, ou seja, tráfico de armas e de drogas"

— Rui Yutaka Matsuda, general da 4° Brigada de Cavalaria Mecanizada

RYMCom certeza ele ficou bastante satisfeito, tanto que haverá uma nova comitiva do Ministério da Defesa vindo aqui no mês que vem para aprofundar os conhecimentos e o apoio ao Sisfron.
 

DN- O Sisfron será aberto com 100% da estrutura funcionando?

RYMNão. Diria que essa inauguração do Sisfron significa o início da operação com os meios essenciais pra você poder operar. Mas, a partir de agora nós vamos começar implementar passo a passo cada vez mais capacidades ao Sisfron. A última etapa será logicamente, provavelmente, a utilização do satélite. Então existem diversos meios de grande valor tecnológico agregados que vão estar passo a passo sendo implementados, mas eu diria para vocês que no meio do ano que vem nós já vamos estar quase com 90% de toda a capacidade, o que é muita coisa.

DN- Quanto a essa comitiva [Ministério da Defesa] que deve vir no próximo mês, existe um dia exato?

RYMEstá previsto para o início do mês que vem e essa comitiva é para aprofundar o conhecimento, porque a vinda do ministro aqui, ele determinou que outros escalões viessem inclusive com acompanhamento de outros ministérios para observarem o andamento do projeto e poder dar mais apoio a continuidade.

DN - Quantas pessoas serão mobilizadas diariamente após a implantação do Sisfron?

RYMEsse é um dado que a gente não pode revelar porque é estratégico de operação. Então dependendo do dia, dependendo da ocasião, dependendo dos nossos estudos de inteligência é que nós vamos operar com mais ou com menos gente em um local ou outro em coordenação com os órgãos de segurança pública. Então esse é um dado que a gente não pode divulgar porque tem um sentido estratégico nas operações.

DN- Estrategicamente qual a importância de Dourados e da Brigada Guaicurus a nível de Brasil?

RYMÉ o que nós estamos dizendo pra vocês, o Sisfron foi escolhido neste local estrategicamente pela sua importância, apesar dos diversos aspectos mas pela importância seja econômica, seja social, seja pela sua localização e a Brigada por ter as condições ideais para poder gerenciar um projeto, é um projeto grandioso e não pode ser gerenciado em qualquer Brigada,então ela também foi escolhida por ter esse aspecto de ter a capacidade para gerenciar esse projeto.

DN- Existe a previsão de mais investimentos nessa região de fronteira, mais especificamente aqui para Dourados?

RYMNós estamos como eu disse, dentro de uma progressiva em termos de instalação de meios e em termos de investimento. Provavelmente no mais tardar no final do ano que vem nós estejamos com todos os meios instalados aqui em Dourados e partir daí a manutenção dos meios e a partir desse espaço, desse fato é que o Sisfron vai progredir para outras faixas de fronteira, seja para o norte, seja para o sul em direção a Porto Velho ou em direção ao Rio Grande do Sul. Pra Dourados nós acreditamos que o pico dos investimentos seja em meados do ano que vem e a partir daí façamos a parte de manutenção só de toda a estrutura.

DN-Como o exército enxerga essa área de fronteira no MS, principalmente por ser uma rota do tráfico de drogas?

RYMSensível. Nós entendemos que não existe defesa sem desenvolvimento, as duas tem que andar juntas, então adianta a gente só investir em defesa se nós não conseguimos vencer o ciclo do desenvolvimento. Ao estarmos colaborando com órgãos de segurança, com a população local, para coibir os ilícitos transfronteiriços, nós estamos também ajudando no desenvolvimento e por conseguinte estamos ajudando no sistema de defesa e é por isso que nós estamos atuando dessa forma.

DN- Existem metas a serem cumpridas após a instalação do Sisfron?

RYM- *Sim, as metas logicamente nós estamos definindo em função de que a partir do início das operações do Sisfron é que nós vamos começar a desenhá-las em função dessas experiências que nós vamos viver a partir de agora. Então provavelmente no meio do ano que vem, durante o ano que vem, nós vamos ter essas metas.
 

DN- E a Brigada Guaicurus, existem projetos para a Brigada?

RYMOs projetos da Brigada, como consequência até do Sisfron é a partir de agora focar na parte de desenvolvimento de recursos humanos. Todo esse aparato tecnológico que está sendo trazido para Dourados necessita de um perfil diferente de recursos humanos que tenha uma grande capacidade de lidar com esses equipamentos. Então, nós passaremos a partir de agora a investir pesadamente nessa parte e dentro de um projeto que nós estamos chamando de escola de líderes, não só a parte de conhecimento mas a parte de atitude das pessoas, dos nossos soldados, que vão ser trabalhadas pra que possamos devolver para a sociedade outro perfil, com muito mais conhecimento e com atitudes que ajudem a população. Isso daí vai começar já a partir do ano que vem com uma forte vertente nesse sentido de investimento.

DN- Pra finalizar, como o enxerga o papel da Brigada, agora após o início das operações?

RYMA Brigada é com certeza uma das referências do Exército Brasileiro, nesse contexto. O exército está investindo pesadamente na modernização, existe o processo de transformação, que é fazer com que passe da era industrial para a era do conhecimento e com certeza, a 4° Brigada é um dos ícones desse processo de transformação. Então o exército está investindo pesadamente para que esta Brigada seja uma referência nesse processo. Como conseqüência, vocês vão ter aqui em Dourados uma das referencias para o exército e pode-se até dizer que estará sem dúvida nenhuma, dentro de um patamar que não deve nada para os exércitos de primeiro mundo.


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