'Vamos manter a dignidade superior do Ubiratan com clareza e honestidade', destaca técnico
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A entrevista desta semana é com o técnico do Ubiratan Esporte Clube, Joselito Alves dos Santos,51, conhecido como ‘Solito Alves’. Ele assumiu os trabalhos junto ao time este mês. Solito iniciou no esporte como jogador nos times profissionais do São Caetano, Paulista de Jundiaí, passou por Corinthians, Itapira e Bangu. Após sofrer uma lesão na perna esquerda devido a um acidente de carro, decidiu apostar na carreira de treinador, a qual foi iniciada no time da Portuguesa de Desportos.
As últimas passagens do técnico foram pelo Operário e Comercial, Santa Helena de Goiás, Araçatuba, Ilha Solteira e União Suzano (SP).
Solito cita que pretende encarar com respeito a pressão que receberá com o Leão da Fronteira, único tricampeão estadual do interior e conta ainda que um dos maiores desafios é dar a volta por cima em Mato Grosso do Sul, após, segundo ele, ter sido mal interpretado.
Com a equipe praticamente fechada, o técnico afirma que o foco será crescer gradativamente na competição para alcançar o título, aproveitando jogadores ‘da casa’ e talentos que virão de fora.
Quanto ao pouco tempo de preparação, ele acredita que com a qualidade que o time tem, não será até a estreia no Estadual contra o Sete de Setembro, no dia 31 de janeiro, às 19h no estádio Douradão.
Confira a entrevista na íntegra:
"O tempo é curto, mas a qualidade que temos é muito boa", destaca o técnico. (Foto- Gizele Almeida)
D.N- Como surgiu o convite para treinar o Ubiratan?
Solito Alves - O Paulo Bolou que é luso-português e fez parceria com a diretoria do clube e o Paulinho Costa, empresário, fizeram a proposta para mim e como já conhecia meu trabalho, acabei aceitando. Inclusive estaria indo para a Portuguesa antes de vim para cá, mas eu aceitei o convite do Paulinho para que a gente pudesse ter sucesso aqui pelo Ubiratan.
D.N- Sabemos que o tempo de preparação para a estreia não é suficiente, como avalia esse período?
S.A - É, mas tem clube também que está preparando aí em cima da hora e acho que é uma tática da comissão técnica para que a gente possa fazer um trabalho de inteligência, né? Vamos,trabalhar esses últimos dias que nós temos, nosso preparador físico é excelente, dando toda assistência que estamos precisando e com a ajuda do Paulinho Costa também que está com a gente na correria. O tempo é curto, mas a qualidade que temos é muito boa.
D.N - Qual o atual estágio da equipe?
S.A - Mesmo se tivéssemos um pré-temporada de 30 ou 25 dias, o jogador nunca chega a 70%. Eu acredito que o trabalho que nós estamos fazendo aí porque 40 a 50% dos atletas já estavam em competições, então a recuperação é rápida e poucos jogadores estavam afastados, mas eles tem qualidade e são novos, eu acho que tem qualidade para chegar ao perfil que precisamos para os jogos.
D.N – Possui em mente a base que entrará em campo na estreia contra o Sete de Setembro?
S.A- Temos o André, goleiro experiente, o Fábio Bahia que já foi campeão em outros clubes também com uma boa experiência, o Renato, zagueiro de qualidade e forte. Temos também o Marcelo Matroni que atingiu bons níveis em jogos internacionais e também tem jogadores da cidade que tem uma qualidade muito boa, o que para nós é muito importante. Temos então os jogadores da cidade para poder colaborar com a gente e alguns que trouxemos para cá que são novos mas tem qualidade. Hoje a idade no futebol, conta muito. Isso para nós é importante pois estamos trabalhando com jogadores de qualidade e rapidez, o que nos dá incentivo maior.
D.N- Você pretende trabalhar com quantos atletas no elenco?
S.A - Como o campeonato é muito curto e existem cartões, lesões, então isso aí nos prejudica muito porque depende da lesão do atleta a recuperação é tardia, pois a competição é curta. Então estamos querendo trabalhar com uma base de 28 a 30 atletas em média para que a gente possa repor jogadores caso houver alguma contusão, algum problema particular do atleta, temos que estar preparados para isso também.
O técnico corre contra o tempo nos treinos junto a equipe. (Foto: Gizele Almeida)
D.N - Já sabe ao certo quantos jogadores da casa participarão?
S.A - Da casa serão sete e já estão confirmados, O Everton, Weslei, Danilo, Ferreirinha, Alex, são alguns deles. E de fora vem o Cesinha que foi campeão pelo Cene, atacante e é uma de nossas esperanças, tem o Renê que vem nos surpreendendo é um bom volante, Renato que tem boa qualidade, tem o Juliano que é um jogador que quer vencer na vida e tem uma qualidade diferenciada, o que para nós é importante. Tem mais alguns jogadores que estamos olhando com calma que também não são daqui e não vamos poder avaliá-los da forma que precisamos devido ao curto tempo mas temos certeza que dentro do jogo vão nos surpreender para melhor.
D.N- Quanto a estrutura que lhe foi dada para os trabalhos junto ao time, como a avalia?
S.A - Olha estão fazendo tudo que a gente está precisando, dentro do alcance, o Paulo Costa está correndo para todo o lado junto ao presidente Joaquim [Soares] e estão dando a estrutura. Isso é muito importante pois estão ouvindo a gente e graças a Deus as coisas estão andando e isso para nós nos dá mais segurança.
D.N- O fato de o adversário ter começado a se preparar antes, dificulta em qual nível ao time?
S.A - Acho que a preocupação deles é a mesma da gente. Eles estão preocupados com os jogadores que nós temos e nós estamos preocupados não pelo tempo que eles estão trabalhando mas preocupados com o jogo. Acho que a maior preocupação nossa é fazer os três pontos.
D.N- É a primeira vez treinando uma equipe de MS?
S.A - Não, é a terceira. Trabalhei no Comercial e Operário. Considero retornar aos trabalhos aqui muito importante, então quero fazer um ótimo campeonato pelo Ubiratan para que possamos deixar alguma coisa especial para a torcida que é o título.
D.N- Como avalia o futebol local?
S.A - Geralmente nas competições no Estado existem muitos jogadores paulistas. Se você olhar o histórico dos jogadores 70% é jogador de SP. Então praticamente alguns nós sabemos o nível, alguns são jogadores de Série A3, A2, muito poucos são de Série A1 aqui. Então isso para nós é importante pois já conhecemos essa divisão, mas não deixa de ser um campeonato forte e perigoso também para aqueles que se arriscam a querer fazer uma coisa sem ter um planejamento de trabalho correto como estamos fazendo.
D.N- Na sua visão, o que poderia melhorar no futebol sul-mato-grossense?
S.A - Estádios, campos de treinamento. A federação também colaborar um pouco mais com os clubes em termos de trazer jogadores diferentes para cá porque o que “mata” nos times de futebol hoje em dia são as transferências que são caras e tem clubes que não tem condições de pagar, isso é uma coisa que eu acho que as federações tinham que combinar e tornar as transferências gratuitas, pois já pagam a inscrição.
D.N– Por que aceitou o desafio de treinar o Ubiratan?
S.A - Porque eu trabalhei no Operário e tive uma decepção muito grande lá e a história está muito mal contada. Eu trouxe uma equipe muito forte para disputar e ganhei o primeiro jogo, acho que o segundo nós empatamos e perdermos o terceiro e os jogadores e a comissão técnica foram expulsas do hotel, acabei abandonando o time pois não tinha onde ficar, onde trabalhar e acabei indo embora para São Paulo. Muitos dizem que eu abandonei, eu deixei porque não tinha onde ficar. Então quero dar a volta por cima aqui em MS fazendo um ótimo trabalho no Ubiratan.
D.N - A pressão sobre o Ubiratan é maior devido ao fato de ser o único tricampeão estadual do interior, como encara isso?
S.A - Encaro com respeito. Parabenizo a equipe por ter esses títulos e temos que manter a dignidade superior com clareza e honestidade e com todo esse apoio que temos acredito que vai ser possível.
D.N - No ano passado o grupo era considerado favorito ao título e acabou caindo nas quartas, como avalia o time deste ano?
S.A - No primeiro momento temos que fazer uma equipe para classificar, existem etapas e essas se chamam decrescentes. Ás vezes as pessoas deixam cair quando chegam às finais e nós com a diretoria e com a equipe que temos, queremos crescer dentro da competição e nos fortalecermos ainda mais na segunda fase para que possamos ir mais longe e adquirir o título, esse é o nosso foco.
D.N - Atletas em quais posições ainda precisa para fechar o grupo do Ubiratan?
S.A - Estamos precisando de volante, deve chegar o Willian, no momento está chegando mais um meia atacante também e um meia de ligação e provavelmente mais um zagueiro, isso aí vai nos ajudar bastante para que a gente possa repor pois o campeonato é curto. O time já está praticamente finalizada em torno de 90% da equipe.
D.N- Para finalizar, o que esperar do time em 2015?
S.A - Sucesso, vitórias, o trabalho paciente que nós temos e vamos mostrar competência não só da comissão técnica como da diretoria.



