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Avicultores e suinocultores integrados discutem custos de produção e relação contratual

| PORTAL DO AGRONEGÓCIO


Avicultores e suinocultores integrados do estado do Mato Grosso do Sul se reuniram, na segunda quinzena de setembro com representantes da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Federação de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (FAMASUL) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (CEPEA/USP), no Projeto Campo Futuro. O objetivo do encontro foi discutir os indicadores que compõem os custos de produção nos dois setores e as dificuldades de negociação acerca da relação contratual entre produtores integrados com suas integradoras. A ação foi uma parceria da CNA com as entidades citadas.



Segundo o assessor técnico da Comissão Nacional de Aves e Suínos da CNA, Victor Ayres, dentro dos modelos de remuneração existentes adotados nos sistemas de integração, a planilha com os custos de produção dos produtores é a principal referência dos resultados financeiros dos integrados. Por isso, destaca o assessor, é comum observar divergências entre as partes no levantamento dos custos inerentes à atividade.


“A reunião foi reflexo das dificuldades enfrentadas pelos integrados acerca das negociações com as integradoras sobre suas planilhas de custos”, comentou Victor Ayres. Para resolver esta questão, os representantes da Confederação, Federação e Centro apresentaram uma metodologia de levantamento dos custos, adotada no projeto Campo Futuro, que já acompanha os custos de 24 produtos do agronegócio brasileiro.


A realidade dos produtores nesses setores não é muito fácil. Representantes da integradora não pactuam com seus integrados nas planilhas custos como pró-labore, depreciação, taxa de atratividade ou tratamento de efluentes, existentes em qualquer atividade empresarial de produção. “Por mais que sejam custos levados em consideração nos demonstrativos financeiros de qualquer grande empresa, eles alegam que os custos acima não poderiam entrar no balanço financeiro da atividade de seus integrados, oportunamente utilizando-se de argumentos infundados tecnicamente e de estratégias persuasivas de negociação”, salientou o assessor técnico.


Dessa forma, o primeiro objetivo da reunião foi quantificar os custos “apagados” pela integradora e apresentar aos integrados argumentos tecnicamente respaldados para justificar a existência daqueles custos, independente de serem levados para a mesa de negociação com a integradora. “O importante foi conscientizar os integrados que aqueles custos existiam e impactavam em seus bolsos”, disse.


No final do debate, o CEPEA entregou aos produtores integrados os resultados das planilhas de custos levantados em Dourados, Sidrolândia e Caarapó, municípios de Mato Grosso do Sul. As planilhas servirão como base para a negociação da remuneração com a indústria, bem como uma nova ferramenta aos produtores de análise e acompanhamento da saúde financeira das granjas.


Em seguida, a CNA apresentou o Projeto de Lei nº 6.459, de 2013, com o novo modelo de remuneração, que teria como base a formação bilateral e paritária de um preço de referência, o que tornaria a distribuição dos resultados equilibrada entre as partes. Na ocasião, foi ressaltada a expectativa para sua aprovação na Câmara dos Deputados ainda neste mês de outubro.


No fim do dia, os produtores e representante da CNA se reuniram com o presidente da FAMASUL, Maurício Saito, para discutirem uma agenda propositiva de atuação dos setores no Estado. “Entre os pontos estão a união das entidades de aves e suínos do estado para atuação conjunta, a necessidade de um canal de diálogo via Federação junto às empresas integradoras e a articulação da Federação junto ao governo para questões sanitárias e linhas de crédito de investimento e modernização tecnológica”, finalizou o assessor técnico da CNA. 


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