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Política

Assédio do PMDB empurra aliados para fora do Governo

| CORREIO DO ESTADO


 

Deputados da base de sustentação ao Governo do Estado reagiram às investidas do PMDB sobre os prefeitos dos partidos aliados e avisaram que o assédio poderá ter consequências catastróficas na base do governador André Puccinelli (PMDB) na Assembléia Legislativa.

Principal articulador do arrastão de prefeitos, André aposta na passividade dos deputados e líderes dos partidos aliados e está medindo forças com eles. No últimos meses, ele intensificou o assédio e mirou em prefeitos do PDT, PR e DEM.

Os aliados, entretanto, decidiram mandar recado ao governador: André pode pagar preço pela fúria desenfreada por prefeitos e afastar os aliados da base.

A avaliação entre as lideranças é de que o PMDB está sendo desleal com as siglas que ajudaram o partido a conquistar o poder em Mato Grosso do Sul ao cooptar prefeitos e enfraquecer os próprios aliados.

Presidente regional do PR, o deputado estadual Londres Machado reagiu com veemência aos assédio dos peemedebistas. "Se o PMDB continuar com esta postura em cima dos aliados, estará nos empurrando para fora da base do Governo", avisou. "Eu espero que o André seja magistrado para conduzir esta questão".

Londres considerou desleal a concorrência entre o PMDB e o PR, já que os peemedebistas estão no Governo. "Eu não tenho condições de competir com o PMDB. O partido está no Governo, está forte. Se quiser fazer um trabalho de convencimento dos prefeitos, vira uma competição desigual".

O presidente lembrou que o PR foi um parceiro leal e esteve com o PMDB durante toda a campanha que elegeu André governador. Portanto, não mereceria chegar à eleições fragilizado por conta das artimanhas do PMDB. "Fomos companheiros, andamos pelo Estado, comemos poeira juntos. Isto tem que ser relevante", ponderou Londres.

Ele entende ser natural a busca por prefeitos, principalmente em um período que antecede o prazo final para troca de partidos daqueles que desejam concorrer. "Mas isto tem que ser conversado antes, com o prefeito analisando os problemas, a realidade de sua região".

Londres tem na sua base pelo menos seis prefeitos: os de Naviraí, Caarapó, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Tacuru e Glória de Dourados. Destes, pelo menos dois estão de malas prontas para deixar o PR e entrar no PMDB: Zelmo de Brida (Naviraí) e Mateus Palma (Caarapó). A reunião entre Zelmo e André prevista para ontem não aconteceu, segundo Londres.

Colega de bancada de Londres, Arroyo informou que na próxima quarta-feira a Executiva do PR no Estado realiza reunião para fazer balanço das filiações. Na pauta do encontro, um alerta: que cada deputado cuide bem de seus prefeitos.

Puxão de orelha

Para o deputado estadual Onevan de Matos (PDT) , o que o PMDB está fazendo subverte toda a lógica da política. "Eu já vi partido cooptar pessoas da oposição, mas nunca enfraquecer os próprios aliados. Investir sobre aliados não é a melhor maneira de se fazer política", afirmou.

O parlamentar questionou a permanência do PDT na base de sustentação de André. "Este tipo de comportamento cria constrangimentos, pode criar problemas para o governador no futuro. Daqui a uns dias esta aliança vai para o pau e o governador pode pagar o preço", alertou.

O deputado federal Dagoberto Nogueira, também do PDT, disse que o governador deve ter a consciência do estrago que este assédio pode causar na base aliada. "Já conversei com o André para ele não fazer estas investidas. O PDT é um bom companheiro e gostaria de continuar sendo", disse.

Dagoberto acusou o senador Valter Pereira (PMDB) de ignorar o pacto de aliança ao ficar assediando prefeitos pedetistas, notadamente Sérgio Diozébio Barboza, que administra Amambai. "Já falei para o André que ele deveria dar um puxão de orelha no Valter. O Valter é que está insuflando o prefeito de Amambai. Não sabe o que é aliado, o que é companheirismo. Por isto mesmo é que quase comprometeu seu futuro político. Só sobreviveu porque, infelizmente, o senador Ramez Tebet (do qual Valter era suplente) morreu".


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