Haddad chama Mourão de torturador e afirma que facada favoreceu Bolsonaro
| HUFFPOST BRASIL
O candidato Fernando Haddad (PT) disse em entrevista nesta terça-feira (23) que o seu adversário Jair Bolsonaro (PSL) não teve "importância" no exército, mas que o seu vice, o general Hamilton Mourão, cometeu torturas durante o período de ditadura militar.
A fala do candidato petista se deu durante a sabatina promovida pelos jornais O Globo e Valor Econômico e a revista Época. Haddad baseou a acusação em uma uma declaração dada pelo artista Geraldo Azevedo durante um show na cidade de Jacobina (BA), no último sábado (20).
"Bolsonaro nunca teve nenhuma importância no Exército. Mas o Mourão foi, ele próprio, torturador. O Geraldo Azevedo falou isso. Ver um ditador como eminência parda de uma figura como Bolsonaro deveria causar temor em todos os brasileiros minimamente comprometido com Estado Democrático de Direito", disse o candidato petista.
Logo após a entrevista de Haddad, o general disse ao Estado de S. Paulo que vai processar o músico por conta da declaração. Nascido em 1953, Mourão tinha apenas 16 anos quando Azevedo foi preso e torturado.
"É uma coisa tão mentirosa. Ele me acusa de tê-lo torturado em 1969. Eu era aluno do Colégio Militar em Porto Alegre e tinha 16 anos. Cabe processo", afirmou o general.
Em nota ao jornal, Azevedo pediu desculpas pela declaração e negou que Mourão estivesse entre os militares que o torturaram, mas reforçou a sua opinião de que "não há espaço no Brasil de hoje para a volta de um regime que tem a tortura como política de Estado e cerceia a liberdade de imprensa".
Ainda na sabatina, Haddad disse que Bolsonaro é "fascista" e o "pior dos porões".
"Ele tem como vice um torturador. Tem como ídolo um torturador, que é [o general Brilhante] Ustra. Para mim, isso é fascismo. Se vocês quiserem dar outro nome para adocicar o Bolsonaro... Estamos diante de um bárbaro, que não respeita ninguém há 30 anos. É o pior dos porões", argumentou.
No fim de semana, Azevedo se manifestou politicamente contra Bolsonaro durante sua participação no Festival EcoArte Itaitu.
"É uma coisa indignante. Eu fui preso duas vezes na ditadura, fui torturado, você não sabe o que é tortura, não. Esse Mourão era um dos torturadores lá", declarou o artista.
"Eu fico impressionado do povo brasileiro não prestar atenção nas evoluções humanas. Olha, eu não sei se isso aqui vai entrar em algum choque com a prefeitura, coisa e tal, mas é o meu sentimento de indignação em relação com o que pode acontecer com o Brasil", continuou.
O artista Geraldo Azevedo foi preso em 1969 com a sua esposa durante o regime militar. Ele foi torturado por 41 dias.
Apesar da denúncia de Azevedo, consta na biografia de Mourão que o general da reserva só ingressou no exército em 1972 e foi declarado aspirante-a-oficial da Arma de Artilharia três anos depois.
Atentado favoreceu Bolsonaro
Questionado pelos jornalistas sobre a dificuldade de mudar o cenário do 2º turno, em que o seu adversário aparece com 59% das intenções de votos, Haddad afirmou que o atentado sofrido por Bolsonaro foi um ponto de virada na campanha do militar da reserva.
"Ninguém quer ser esfaqueado para ganhar uma eleição. O fato é que ele subiu dez pontos em uma semana no nosso tracking, isso é fato. Estava entre 18 e 19, o Alckmin estava subindo, indo para o segundo turno com o PT, e ele [Bolsonaro] foi pra 28 em dez dias, subiu um ponto por dia", disse.
O petista também lamentou o fato de que Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado no 1º turno, não estivesse ao seu lado durante a reta final da campanha.



