Confira as receitas de 2 iguarias da culinária europeia: petit gâteau e goulash
O petiti gâteau mais tradicional é com calda de chocolate. Mas, pelo menos no Brasil, a sua popularização trouxe novidades como o doce de leite e a Nutella
| CORREIO DO ESTADO
Goulash e petit gâteau. Uma é conhecida como marmita húngara, mas deve muito de sua popularidade no Brasil, e no mundo, à imigração alemã. A outra tem um nome fofinho em francês, mas talvez tenha sido batizada assim fora da terra de Napoleão. Conheça um pouco mais e delicie-se com esses dois quitutes da culinária europeia.
De origem húngara, como destacam especialistas como Luisa Frey, o goulash se espalhou por outros países, integrando hoje as culinárias austríaca e alemã, por exemplo. Acredita-se que o prato – feito de cubos de carne, bovina ou suína, cozidos lentamente em um caldo vermelho-alaranjado – tenha surgido na Idade Média, como uma espécie de marmita.
Já no século 9 da era cristã, antes de partir com seus rebanhos, pastores húngaros cozinhavam pedaços de carne lentamente com cebola e condimentos, até que o líquido todo fosse absorvido. Esse ensopado era secado no sol e embalado para viagem em sacos feitos de estômago de ovelha. Na hora de comer, bastava adicionar água para obter um ensopado novamente.
A páprica teria sido adicionada ao prato somente no século 18 e hoje é um item indispensável. A versão clássica leva carne bovina, cebola, alho, sementes de cominho (kümmel), tomate e pimentão. Mas, sim, há muitas variações. Uma delas leva, por exemplo, chucrute e creme azedo.
Na Alemanha, o goulash – ou gulasch – é tão popular que, no açougue, o picadinho de carne, bovina ou suína, pode ser solicitado pelo mesmo nome do prato. O ensopado de carne e páprica é servido hoje em muitos restaurantes alemães, como sopa, com batatas ou com um tipo de massa (o spätzle).
PETIT GÂTEAU
O petiti gâteau mais tradicional é com calda de chocolate. Mas, pelo menos no Brasil, a sua popularização trouxe novidades como o doce de leite e a Nutella. Sua origem é controversa. O nome, em francês, significa “pequeno bolo”. Mas a sobremesa não parece ter sido batizada desse jeito na França. Por lá, uma versão semelhante é chamada de moelleux au chocolat. Alguns dizem que o termo francês teria sido cunhado nos Estados Unidos, onde, paradoxalmente, o bolinho é mais conhecido como lava cake.
Uma das versões sobre a invenção do quitute é a de que ela teria surgido na cozinha do chef Michel Bras, em seu pequeno restaurante em Laguiole, na França. Em 1981, ele teria patenteado seu coulant de chocolate, o pai dos bolinhos de chocolate derretido tal como se conhece hoje em dia.
Jean-Georges Vongetrichten, também francês, radicado em Nova York, teria reinventado a sobremesa por acidente em 1987. Ao preparar uma receita de sua mãe, ele teria retirado o bolo de chocolate do forno cedo demais e descoberto que o centro líquido deixava o doce ainda mais delicioso. E então passou a servi-lo com sorvete de baunilha.
O bolinho teria começado a aparecer no menu de outros restaurantes, sendo batizado de lava cake pela rede de restaurantes americana Chart House. Logo o quitute também entrou em livros de receita e se popularizou ainda mais quando passou a ser servido nos restaurantes da Disney, em Orlando, no fim da década de 1990.
Teria sido mais ou menos nessa época que a receita chegou ao Brasil. Uma das versões para a introdução do doce no País seria a de que o chef francês Erick Jacquin, radicado em São Paulo, teria adaptado a receita. É mole?
Seja como for, para o preparo mais feliz, o desafio é descobrir exatamente por quanto tempo assar os bolinhos, que gira em torno dos 5 minutos, dependendo do forno. Se passar um pouco, eles podem assar por completo, perdendo justamente a mágica que lhes é característica ao dar a primeira colherada. Sim, tem de ser mole.
Dica de ouro: colocar em formas pequenas. As de silicone são bem práticas. Preaqueça o forno e asse os bolinhos em temperatura alta. Se seu forno tiver luz, observe os bolinhos e retire-os assim que notar que as bordas endureceram.
Goulash
Ingredientes
1 kg de carne bovina (pode ser coxão duro);
250 g de cebola;
50 g de banha de porco (ou óleo);
3 dentes de alho;
3 colheres (chá) de páprica doce em pó;
2 colheres (chá) de páprica picante em pó;
1 colher (chá) de cominho;
5 colheres (sopa) de polpa de tomate;
200 ml de vinho tinto seco;
3 pimentões vermelhos;
Sal;
Açúcar.
Modo de Preparo
Corte a carne em cubos de 3 centímetros. Pique a cebola. Aqueça o óleo ou a banha em uma panela larga e refogue a cebola em fogo médio. Acrescente o alho finamente picado.
Misture as duas pápricas e refogue rapidamente com a cebola e o alho na panela. Acrescente a carne e deixe cozinhar em fogo médio durante 5 minutos, mexendo sempre. Tempere com sal e cominho. Misture a polpa de tomate com 250 ml de água fervente e com o vinho. Acrescente a mistura à carne, tampe a panela e deixe cozinhar no fogo médio de duas horas a duas horas e meia.
Picar três pimentões em cubos de 3 cm, acrescentar à carne e deixar cozinhar por mais 30 minutos. Temperar com sal a gosto e uma pitada de açúcar. Servir acompanhado de batatas cozidas.
Petit gâteau
Ingredientes
(medidas para 6 a 8 bolinhos)
200 g de chocolate meio amargo;
2 colheres (sopa) de manteiga;
4 colheres (sopa) de açúcar;
4 colheres (sopa) de farinha de trigo;
4 ovos.
Modo de preparo
Preaqueça o forno a 220ºC.
Bata os ovos em uma tigela. Adicione o açúcar e a farinha e misture bem.
Derreta o chocolate em banho-maria.
Retire-o do fogo e acrescente a manteiga e misture até incorporar.
Adicione, então, a mistura de ovos, açúcar e farinha.
Despeje a massa nas forminhas untadas e enfarinhadas. Leve ao forno por cerca de 5 minutos ou até que as bordas dos bolos endureçam.
Retire do forno, deixe esfriar por alguns minutos.
Desenforme e sirva ainda quente, acompanhado de sorvete de creme.



