Passaporte de Eliza Samudio reaparece em Portugal e reacende repercussão do caso
| DOURADOS AGORA/THIAGO MARQUES
Mais de dez anos após a morte de Eliza Samudio, um novo elemento inesperado trouxe novamente o caso para o centro das atenções. Um passaporte em nome da modelo, considerado inexistente até então, foi localizado em Portugal e levantou questionamentos sobre como o documento chegou ao país europeu e por que nunca foi utilizado oficialmente após a data registrada.
O passaporte foi encontrado no fim de 2025 por um homem que preferiu não se identificar. Segundo o relato, o documento estava esquecido sobre uma estante de livros em um apartamento alugado onde ele mora com a esposa e a filha, imóvel que também é compartilhado com outros residentes. A descoberta ocorreu após seu retorno de uma viagem de trabalho, quando folheava livros na área comum do apartamento. Ao reconhecer o nome e a fotografia, afirmou ter ficado chocado com a situação, diante da grande repercussão do caso no Brasil.
A análise preliminar do passaporte aponta apenas um carimbo de entrada em Portugal, datado de 5 de maio de 2007, cerca de três anos antes da morte de Eliza. Não há registro de saída do país, e o documento está com todas as páginas preservadas, sem indícios de uso posterior, o que intensifica o mistério em torno de sua trajetória.
Diante da repercussão, o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou que recebeu o passaporte e comunicou oficialmente o Itamaraty, em Brasília. Em nota, informou que aguarda orientações das autoridades brasileiras sobre os próximos procedimentos a serem adotados em relação ao documento.
No Brasil, a família da modelo voltou a se manifestar. A irmã de Eliza, Arlie Moura, de 27 anos, disse que a descoberta causou novo abalo emocional, mas ressaltou que o surgimento do passaporte precisa ser investigado para esclarecer se houve perda, roubo ou outra circunstância envolvendo o documento. Apesar disso, afirmou não acreditar que Eliza esteja viva e reforçou que as provas reunidas à época do crime são consistentes.
Eliza Samudio nasceu em Foz do Iguaçu, no Paraná, e teve vínculos com Campo Grande, onde sua mãe viveu por muitos anos e onde a própria Eliza chegou a morar antes de se mudar para São Paulo. Em 2010, ela foi dada como morta em um crime que chocou o país, pelo qual o ex-companheiro, o goleiro Bruno Fernandes, foi condenado. O reaparecimento do passaporte, embora cercado de incertezas, não altera oficialmente as conclusões do caso, mas adiciona um novo capítulo a uma das histórias mais marcantes da crônica policial brasileira.





