Neno perderá mandato nos próximos dias e Lucas de Lima será beneficiado por lentidão da Justiça Eleitoral
| INVESTIGAMS/WENDELL REIS
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) realiza, nesta quinta-feira, o reprocessamento dos votos para deputado estadual. O procedimento ocorre após a condenação de Raquelle e Loester Trutis por irregularidade na eleição de 2022.
Com o reprocessamento, o deputado Neno Razuk (PL) deve perder o mandato para o deputado João César Matto Grosso (PSDB). Com isso, o PL deve ficar com seis deputados na Assembleia. O partido ainda poderia cair para cinco, mas a lentidão da Justiça Eleitoral deve beneficiar o deputado Lucas de Lima.
Desde o ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral ensaia o julgamento de um processo que pode cassar o mandato de Lucas de Lima. Ele teve o mandato questionado na justiça após conseguir autorização do TRE e mudar de partido. Poucos dias depois, o TSE ignorou a liberação do TRE e colocou o mandato de Lucas em risco.
A suplente, Glaucia Iunes, pediu o mandato de Lucas no TRE. O Carlos Alberto Almeida decidiu aguardar o julgamento do TSE para depois avaliar o pedido de Glaucia Iunes. Porém, desde o meio do ano passado o TSE enrola com o processo.
A última movimentação é de dezembro do ano passado, quando o ministro Nunes Marques pediu vistas. Se o pleno do TSE confirmar que a troca de Lucas foi irregular, o caso volta para o TRE, que pode pedir o mandato. Entretanto, Lucas poderá recorrer ao TSE, enrolando mais ainda o caso. Como as decisões serão susceptíveis a recursos e faltam apenas seis meses para o fim do mandato, Lucas deve ficar até o final, independentemente do resultado.
Glaucia alega infidelidade partidária de Lucas ao deixar o partido. Ela solicitou tutela de urgência para garantir que o partido, que é dono da vaga, não fique sem representante. Entretanto, não conseguiu. Agora, aguarda julgamento do TRE. No pedido para sair do PDT, Lucas alegou ser vítima de discriminação política dentro da legenda. Ele seria candidato a prefeito da Capital, mas acabou desistindo.
Saída de Neno
Após o reprocessamento, nesta quinta, o TRE encaminhará a decisão para a Assembleia, que deve convocar João César Matto Grosso imediatamente.
Em março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou Trutis e Raquelle por lavagem de dinheiro nas eleições de 2022. Em decisão final, onde não cabe mais recurso, os ministros Carmen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques condenaram o ex-casal por lavagem de R$ 776 mil. Com a correção monetária, a dupla deve pagar mais de R$ 1 milhão.
O TSE seguiu decisão do TRE, entendendo que o então casal utilizou duas empresas para dissimular movimentações ilícitas de recursos públicos e praticar lavagem de dinheiro.Os desembargadores apontaram que as empresas teriam recebido valores cruzados pelos dois candidatos para simular serviços e mascarar o desvio de recursos.
Durante o processo, a justiça eleitoral destacou contradições em depoimentos, falta de comprovação dos serviços que teriam sido realizados, endereços inexistentes, entre outras irregularidades. Os ministros entenderam que os réus não apresentaram fatos que mudem o que já foi provado nas instâncias anteriores.
O PL fez 132.945 votos para estadual. Sem os votos de Raquelle, fica com 122.163. Com isso, perde a vaga para o PSDB, que somou 293.036 votos, e garante a sétima cadeira. Neno teve 17.023 votos e João César, 11.650.





