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Após polêmica em Caarapó, empresário sob investigação do MP fecha contrato milionário em Laguna Carapã

| CAARAPONEWS COM PAUTA DIáRIA


Mesmo após ter sido preso em uma operação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT), suspeito de integrar um esquema bilionário de fraudes em contratos públicos, o empresário Jânio Corrêa da Silva segue firmando acordos milionários com prefeituras, agora em municípios de Mato Grosso do Sul. A contratação mais recente envolve a Prefeitura de Laguna Carapã, que deverá desembolsar R$ 5.146.364,13, sem a realização de licitação própria.

A contratação foi publicada no Diário Oficial e ocorreu por meio de adesão à Ata de Registro de Preços nº 08/2025 — instrumento legal, mas frequentemente alvo de críticas por ser utilizado como um atalho administrativo para evitar processos licitatórios próprios, especialmente quando envolve valores elevados e empresas cercadas de questionamentos.

Empresa sob suspeita continua faturando milhões
A empresa contratada é a Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica Ltda, com sede em Cuiabá (MT), que se apresenta como especializada em serviços de informática e gestão. O contrato prevê a gestão informatizada da frota municipal, abrangendo abastecimento, manutenção de veículos, fornecimento de peças e combustíveis, por meio de cartões eletrônicos e sistema web integrado.

O que chama atenção é que o proprietário da empresa, Jânio Corrêa da Silva, foi preso em 7 de novembro de 2024, acusado de integrar um esquema de fraudes em contratos públicos envolvendo mais de 100 prefeituras e câmaras municipais no Estado de Mato Grosso. Segundo o Ministério Público, o grupo familiar investigado teria movimentado contratos que somam cerca de R$ 1,8 bilhão.

Embora Jânio tenha sido solto após cinco dias, as investigações não foram encerradas. Um tio do empresário, apontado como um dos principais articuladores do esquema, permaneceu preso por período mais prolongado.

Repetição de contratos levanta suspeitas
Laguna Carapã não é um caso isolado. Pelo menos outras três prefeituras de Mato Grosso do Sul, entre elas Água Clara e Ivinhema, também firmaram contratos milionários com a mesma empresa. O padrão se repete: valores elevados, adesão a atas de registro de preços e ausência de licitação própria.

A insistência de administrações municipais em contratar uma empresa sob investigação do Ministério Público, mesmo diante de um histórico controverso, levanta questionamentos inevitáveis:

-Houve análise de risco por parte do município?
-A prefeitura avaliou alternativas disponíveis no mercado?
-Por que optar por uma empresa investigada quando existem outras concorrentes?
Gestão pública ou negligência?
Ainda que a contratação seja formalmente legal, o caso evidencia uma grave fragilidade no zelo com o dinheiro público. Em meio a discursos recorrentes sobre transparência e responsabilidade fiscal, causa indignação que recursos milionários sejam direcionados a empresas envolvidas em investigações por corrupção, sem amplo debate público ou explicações claras à população.

O contrato foi assinado por Jânio Corrêa da Silva, representando a empresa, e pela administração municipal de Laguna Carapã.

Diante dos fatos, cresce a pressão para que órgãos de controle, a Câmara de Vereadores e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul acompanhem de perto a contratação. Afinal, o dinheiro é público — e a conta, como sempre, recai sobre o contribuinte.

Caarapó já viveu situação semelhante
No início do ano passado, o município de Caarapó, sob a gestão da prefeita Maria de Lourdes Portugal (PL), chegou a firmar contrato superior a R$ 14 milhões com a empresa Pantanal Gestão e Tecnologia Ltda, que, segundo o Ministério Público, integra o mesmo grupo familiar acusado de constituir uma organização criminosa voltada ao desvio de verbas públicas.

À época, o Ministério Público apontou Edézio Corrêa, parente de Jânio Corrêa, como figura central da organização.

Após denúncia publicada pelo CaarapoNews, a Prefeitura de Caarapó recuou do contrato e instaurou um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) para apurar possíveis irregularidades e inexecução contratual. Até o momento, o resultado do processo não foi divulgado.

O contrato em questão previa adesão a uma ata de registro de preços no valor de R$ 14,6 milhões, também firmada sem licitação direta.

Relembre o caso
A contratação da Pantanal Gestão e Tecnologia Ltda gerou questionamentos desde sua divulgação. Em maio de 2025, reportagem do CaarapoNews alertou para os valores milionários envolvidos e para o histórico da empresa, já investigada pelo Ministério Público de Mato Grosso.

Segundo o MPE-MT, a empresa foi alvo da Operação Gomorra, deflagrada em 7 de novembro de 2024, com autorização judicial e execução do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco). A operação investigou um suposto esquema de fraudes em licitações, adulteração de notas fiscais, desvio de combustíveis por meio de “cartas coringa” e sobrepreço em contratos, especialmente no município de Barão de Melgaço (MT).

Conforme o Ministério Público, a Pantanal integra um grupo familiar acusado de atuar de forma organizada para desviar recursos públicos em diversas cidades.

Apesar dos alertas e do histórico amplamente divulgado, o grupo empresarial continua buscando — e obtendo — contratos em municípios sul-mato-grossenses, especialmente por meio de adesões a atas de registro de preços, modalidade que segue no centro das controvérsias envolvendo a gestão de recursos públicos.

Caarapó chegou a contratar empresa do mesmo grupo por adesão de ata por mais de R$ 14 milhões. Contrato foi encerrado após denúncia do CaarapoNews na época

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