Ex-prefeito da Capital nega intenção de matar fiscal e alega legítima defesa
| DOURADOS AGORA/FLáVIO VERãO
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (sem partido), declarou à Polícia Civil nesta terça-feira (24) que não teve a intenção de matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto durante uma ocorrência em um imóvel localizado no Jardim dos Estados. Segundo ele, a reação ocorreu diante do que classificou como uma invasão ao local onde reside e mantém escritório.
O depoimento, com duração de cerca de 21 minutos, foi prestado poucas horas após o episódio. De acordo com as informações já apuradas, a vítima estava no imóvel acompanhada de um chaveiro para cumprir uma notificação extrajudicial de desocupação, após o bem ter sido arrematado em leilão.
Durante o interrogatório, Bernal afirmou que há disputa judicial sobre a propriedade e contestou a forma como a tentativa de posse foi conduzida. Segundo ele, não houve comunicação formal sobre o leilão ou execução do imóvel e, por isso, ingressou com ação para anular o processo.
O documento apresentado à vítima, datado de fevereiro de 2026, estipulava prazo de 30 dias para desocupação voluntária, já vencido. No entanto, não possuía validade como ordem judicial para retirada forçada.
O ex-prefeito relatou ainda que foi avisado por um sistema de monitoramento sobre um possível arrombamento e decidiu ir até o endereço. Ao chegar, disse ter encontrado o portão aberto, um veículo na garagem e pessoas tentando forçar a entrada da residência.
Conforme seu relato, ao menos três indivíduos estavam no local e um deles teria avançado em sua direção. Diante da situação, afirmou ter se sentido ameaçado. “Efetuei dois disparos, mas não com intenção de matar. A ideia era atingir o chão ou a perna', declarou.
Bernal sustentou que agiu por reflexo, alegando risco iminente. Segundo ele, após os tiros, solicitou socorro e se dirigiu até a delegacia para comunicar o ocorrido.
O ex-prefeito também afirmou não conhecer a vítima e relacionou o episódio a outras ocorrências anteriores de tentativa de invasão no mesmo imóvel. Ele destacou ainda que possui porte legal de arma desde 2013, obtido após ter sido alvo de ameaças.
A defesa reforça a tese de legítima defesa e sustenta que o ex-prefeito não tinha intenção de causar a morte. A Polícia Civil segue investigando o caso e deve analisar imagens de câmeras de segurança para esclarecer a dinâmica dos fatos.
Bernal permanece preso e deve passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (25).
Histórico do imóvel
O imóvel onde ocorreu o caso possui terreno de 1.440 metros quadrados e área construída de 678 metros quadrados. Avaliado em cerca de R$ 3,7 milhões, foi levado a leilão em 2025 devido a dívidas, com lance mínimo de R$ 2,4 milhões. Apenas em IPTU, o débito acumulado chega a aproximadamente R$ 344 mil.



