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Bernal deu segundo tiro quando fiscal já estava caído no chão, conclui perícia

| MIDIAMAX


O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal deu ‘tiro de misericórdia’ — ou tiro à queima-roupa — no fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, no dia 24 de março, em uma residência no bairro Jardim dos Estados, na Capital.

Como a morte ocorreu em um ponto-cego, onde o sistema de câmeras de segurança não pega, o delegado Danilo Mansur esperava os resultados da perícia técnica. O laudo conclui que Bernal deu o segundo tiro com o fiscal caído — próximo da porta de entrada da casa.
“O segundo disparo de arma de fogo foi realizado quando a vítima estava caída, em decúbito lateral direito, ou em pé, com o atirador posicionado próximo à vítima (tiro à curta distância)”, diz o laudo da perícia.

Ele se aproximou e atirou
Ainda de acordo com o laudo da Perícia, Bernal deu o primeiro tiro distante de Mazzini, mas o atingiu. Com isso, Mazzini caiu na varanda, quando Bernal se aproximou. O chaveiro que trabalhava no local e testemunhou o crime disse que Bernal então se abaixou.

Já mais próximo da vítima, Bernal teria dito algumas palavras, que a testemunha não conseguiu entender. Então, deu o segundo tiro já numa distância entre 10 e 50 centímetros.

No dia 2 de abril, o delegado entregou o relatório policial, mas aguarda os laudos da perícia. O relatório foi finalizado com base nos depoimentos e nas imagens de câmeras de segurança da residência, que foi pivô do homicídio.

Segundo a perícia, Bernal deu o primeiro tiro a longa distância, quando entra no local. O projétil entra e sai do corpo — ambos no lado direito—, atinge uma parede atrás de Mazzini, e, por fim, acerta um pedaço de vidro que estava escorado.

Já a distância do segundo tiro não foi conclusiva, mas foi a curta distância. Marcas na camiseta de Mazzini indicam isso. Como a arma estava próxima da vítima, o tiro deixou uma marca de fumaça na camiseta.

Bernal passou pelo portão e deu 1º tiro em 3 segundos
Na conclusão do delegado, Bernal anda da caminhonete até o portão da casa com a arma na mão, entra na garagem, dá sete passos em direção à vítima, aponta o revólver para frente e efetua o primeiro disparo. Tudo isso em cerca de três segundos.

O ex-prefeito passa pela entrada da casa, que estava aberta, às 14h44min39s e efetua o disparo às 14h44min41s. Após o tiro, ele abaixa o revólver e caminha em direção à vítima.

Defesa rebate sobre tempo dos disparos
Para a reportagem do Jornal Midiamax, o delegado Danilo Mansur, responsável pelas investigações do homicídio na 1ª DP (Delegacia de Polícia Civil), relatou que uma testemunha teria ouvido dois disparos no intervalo de cinco segundos; no entanto, a defesa de Bernal, representada pelo advogado Oswaldo Meza, contesta.

“Ele deu na sequência as imagens com a fumaça de pólvora, as imagens não têm áudio, foi em pé, andando, sem fazer mira e na sequência”, rebatou a defesa.

O crime foi testemunhado pelo chaveiro que acompanhava Mazzini. Em seu depoimento inicial, afirmou que houve apenas um disparo — o que o advogado Meza afirma.

No local, as equipes de polícia encontraram duas cápsulas; entretanto, a explicação da defesa é que “o revólver .38 é de ação rápida, então ele atirou e foi na sequência. Então, foram dois tiros juntos”.

Defesa da família Mazzini
A defesa da família de Roberto Mazzini, de 61 anos, acredita que Alcides Bernal não agiu em legítima defesa ao balear o servidor com dois tiros.

O advogado Tiago Martinho, que atua na defesa da família Mazzini, pontuou que o ex-prefeito de Campo Grande cometeu uma execução. Vale lembrar que o crime foi registrado por câmeras de segurança.

“As imagens demonstram claramente que em nenhum momento ocorreu qualquer possibilidade de legítima defesa; pelo contrário, a vítima sofreu dois tiros, então, o segundo tiro, muito provavelmente, foi à queima-roupa. De fato, foi uma execução o que aconteceu”, pontuou Martinho.

Delegado contesta legítima defesa
O delegado Danilo Mansur, responsável pelo caso, revelou que a alegação de legítima defesa possivelmente não será válida. A equipe de investigação aguarda o laudo pericial para confirmação dos fatos.

“Ele faz o primeiro disparo e, logo em seguida, ele vai até a vítima e faz o segundo disparo. Isso, por si só, na minha opinião, afasta a hipótese de legítima defesa. É difícil argumentar legítima defesa chegando atirando já”, comenta Mansur.

Segundo o delegado, o gerente da empresa de segurança que teria acionado Bernal sobre a suposta invasão a sua casa revelou ter ouvido dois disparos, com intervalo entre eles. “[O gerente] ouve o primeiro disparo, passam mais ou menos cinco segundos, e ouve o segundo. Então, não houve legítima defesa, se confirmar essa linha, com os laudos periciais.”

Assassinato
O crime aconteceu em uma casa que pertenceu a Bernal, mas foi arrematada em um leilão por Mazzini, no ano passado. Na tarde de 24 de março, Roberto foi até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros, que atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal da vítima.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h; eles realizaram, por cerca de 25 minutos, manobras de reanimação, mas o servidor não resistiu e morreu.

Após o crime, o ex-prefeito se entregou na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. Já o chaveiro, que presenciou o assassinato, foi encaminhado para o Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada).


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