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“Foi tudo muito rápido”, diz acusado de matar homem após cobrança de dívida

Crime aconteceu em junho de 2024 e câmeras de segurança flagraram a fuga de Alessandro

| ANA PAULA CHUVA E GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS


Alessandro sentado no banco dos réus durante julgamento (Foto: Juliano Almeida)

O mecânico Alessandro da Anunciação, de 42 anos, acusado de matar Antônio José Domingos Ramalho em junho de 2024, no Bairro Moreninhas, em Campo Grande, afirmou em interrogatório que agiu em desespero durante uma discussão motivada pela cobrança de uma dívida relacionada a um acidente de trânsito. “Foi tudo muito rápido', declarou.

O caso tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou Alessandro por homicídio qualificado por motivo torpe e porte ilegal de arma de fogo.

Segundo a denúncia, vítima e acusado passaram a ter desentendimentos após um acidente automobilístico ocorrido em janeiro daquele ano. Alessandro alegou que o veículo dele sofreu danos avaliados em cerca de R$ 2,5 mil, mas Antônio não teria cumprido o acordo para pagamento do prejuízo.

Em depoimento ao juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, na manhã desta quinta-feira (7), o acusado afirmou que tentou resolver a situação amigavelmente e disse que manteve contato com a esposa da vítima, mas nunca conseguiu conversar diretamente com Antônio. “Não queria que ele perdesse o bem dele, só queria ser ressarcido', afirmou.

No dia do crime, Alessandro contou que havia levado a filha para a escola e depois saiu para trabalhar levando uma peça de motocicleta para polimento na oficina. Armado com um revólver sem registro, que disse possuir havia cerca de oito anos, ele passou novamente em frente à residência da vítima.

Segundo o réu, ele viu Antônio e foi conversar com ele. Os dois acabaram discutindo e a vítima pegou a peça da motocicleta que havia caído no chão e avançou contra o mecânico. “Pegou, levantou e já veio para cima. Foi tudo muito rápido. Não tinha tempo para reação', declarou.

Alessandro afirmou que não chegou a ser atingido pela vítima, mas temia pela sua vida, então sacou a arma e efetuou quatro disparos. 'Quando vi que tinha acertado ele, fui para a oficina e contei que havia feito merda . Ai pedi ajuda para sair dali', alegou.

O acusado correu de costas antes de sacar a arma e atirar. Durante o interrogatório, ele também revelou possuir antecedente por homicídio e admitiu que comprou a arma ilegalmente após deixar a prisão. “Depois que a gente erra é muito difícil', disse sobre não ter chamado a polícia.

Para o Ministério Público, o crime foi motivado por vingança em razão da dívida referente ao conserto do veículo, o que caracteriza motivo torpe. A defesa, por outro lado, sustenta que Alessandro agiu sob ameaça e tenta convencer o Tribunal do Júri de que houve legítima defesa.


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