Classificação de PCC e CV como terroristas amplia alerta em MS, onde disputa preocupa autoridades
| DOURADOS AGORA/FLáVIO VERãO
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas entra em vigor nesta sexta-feira (5) e pode ampliar impactos internacionais no combate às facções criminosas brasileiras. A medida também acende o alerta em Mato Grosso do Sul, estado que convive há anos com a atuação do PCC e passou a registrar avanço do CV, intensificando disputas violentas em diferentes regiões.
Nos últimos meses, o aumento da presença do Comando Vermelho em cidades sul-mato-grossenses provocou confrontos ligados à disputa territorial, especialmente em municípios do norte do Estado e em áreas estratégicas próximas às fronteiras.
Em Ponta Porã, município localizado na fronteira seca com o Paraguai, a atuação de facções criminosas já é considerada uma preocupação antiga das autoridades e da população. O cenário levou vereadores do município a cobrarem reforço na segurança pública estadual.
Com a nova classificação americana, PCC e CV passam a integrar oficialmente a lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. Na prática, isso amplia a atuação de órgãos de contraterrorismo e endurece mecanismos legais e financeiros utilizados para rastrear, bloquear recursos e combater atividades ligadas aos grupos.
A legislação americana também prevê punições para pessoas físicas e empresas que forneçam qualquer tipo de suporte considerado relevante às organizações enquadradas nessa categoria. O conceito engloba apoio financeiro, serviços, logística e outras formas de assistência.
Além disso, instituições financeiras e empresas que mantêm relações com o sistema financeiro americano poderão ser pressionadas a reforçar controles internos para evitar qualquer ligação direta ou indireta com integrantes ou negócios associados às facções. Ativos localizados em território americano ou sob alcance da legislação dos EUA podem ser bloqueados.
Desde o anúncio da medida, feito pela gestão do presidente Donald Trump em 28 de maio, o governo brasileiro mantém articulações diplomáticas para discutir os efeitos da decisão. Enquanto especialistas apontam possíveis reflexos econômicos e impactos na cooperação internacional, integrantes do governo federal avaliam que não há indicativos, neste momento, de ações militares americanas em território brasileiro.
Vereadores cobram reforço policial em Ponta Porã
A preocupação com o avanço da criminalidade na fronteira motivou uma comitiva de vereadores de Ponta Porã a buscar apoio do governo estadual. Em reunião realizada nesta quarta-feira (3) com o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, parlamentares entregaram um documento pedindo aumento do efetivo policial e investimentos estruturais para as forças de segurança.
Participaram da agenda o presidente da Câmara, vereador Jelson Bernabé, além dos vereadores Reinaldo Jalasca, Edinho Quintana, Natália Velasques, Carlos Bordão e Biro-Biro.
Segundo os parlamentares, as características geográficas da fronteira exigem reforço permanente na atuação policial, especialmente diante do aumento da presença de organizações criminosas e da disputa entre facções pelo controle territorial.




