‘Algo maior’: psiquiatra explica como e por que a Copa do Mundo altera o cérebro das pessoas
| MIDIAMAX
A cada quatro anos, a Copa do Mundo vai muito além do futebol. O torneio reúne famílias, muda a rotina das cidades e faz até quem não acompanha o esporte entrar na torcida. Mas toda essa emoção tem uma explicação: a sensação de que “algo maior está acontecendo” não é apenas cultural, mas também biológica.
Segundo o psiquiatra Dr. Kleber Vargas, do Humap-UFMS/Ebserh (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), a Copa ativa áreas do cérebro ligadas às emoções, à memória, ao prazer e ao sentimento de fazer parte de um grupo.
“Na Copa do Mundo, existe uma simbologia muito forte relacionada ao país e à cultura que pertencemos. É um evento com muita mídia, muita exposição, e isso faz com que as pessoas conversem, se interessem e compartilhem o assunto. Isso gera uma sensação de pertencimento”, detalha.
Para o profissional, o principal elemento que explica a intensidade emocional da Copa do Mundo é justamente essa sensação e a necessidade de pertencer, que fica mais aguçada durante o Mundial.
“A nossa torcida faz com que a gente se sinta vitorioso também, assim como na derrota, apesar de ser um sentimento de tristeza ou fracasso, ele também gera uma sensação de pertencimento a um grupo”, destaca.
Emoções emboladas: o que a Copa do Mundo faz no cérebro
Durante jogos decisivos, diferentes áreas do cérebro são ativadas simultaneamente. Conforme Dr. Kleber, a amígdala cerebral, estrutura relacionada às emoções, aumenta a percepção de risco, medo e intensidade emocional.
Ao mesmo tempo, o córtex pré-frontal, responsável pelas funções executivas, tenta interpretar racionalmente o que está acontecendo e controlar impulsos.
Já nos momentos de alegria, como um gol ou uma classificação, entra em ação a dopamina, substância ligada à sensação de prazer e recompensa.
Os pênaltis costumam ser os momentos de maior tensão. Isso acontece porque o cérebro reage de forma mais intensa diante da incerteza. O resultado imprevisível aumenta a ansiedade e provoca sintomas como coração acelerado, respiração mais rápida e tensão muscular.
Toda essa carga emocional também explica por que algumas pessoas choram durante os jogos, seja de felicidade, tristeza ou alívio. Segundo o psiquiatra, a emoção é potencializada pelo sentimento de representar o país e fazer parte de algo maior.
Neurotransmissores envolvidos na experiência da Copa
O psiquiatra do Humap ainda reforça que as diferentes substâncias estão envolvidas nas emoções vividas durante os jogos:
Dopamina: relacionada ao prazer e à recompensa;
Adrenalina: relacionada à ansiedade e ativação corporal;
Serotonina: relacionada ao humor;
Cortisol: relacionado ao estresse.
Além disso, superstições também são comuns nessa época. Usar a mesma camisa, sentar no mesmo lugar ou repetir algum ritual antes das partidas ajuda muitas pessoas a diminuir a ansiedade, mesmo sem influência no resultado do jogo.
Além das emoções do momento, a Copa também deixa lembranças marcantes. Jogos históricos, comemorações em família e grandes conquistas costumam ficar na memória por muitos anos justamente por estarem associados a momentos de forte emoção.
Para o Dr. Kleber Vargas, quando vivida de forma saudável, a Copa do Mundo fortalece a convivência, cria boas lembranças e reforça o sentimento de união entre as pessoas. “A Copa do Mundo mobiliza emoções porque ativa estruturas importantes do cérebro e da nossa vida em sociedade. É um evento que faz as pessoas se sentirem parte de algo maior”, conclui.



