Caçada após morte de PM já matou cinco na fronteira com a Bolívia
Desde o dia 30 de junho, quando criminosos mataram Marcelo Pimenta, cinco supostos envolvidos foram abatidos
| CORREIO DO ESTADO / RODOLFO CéSAR, DE CORUMBá
Cinco homens supostamente envolvidos com facções criminosas foram mortos na região de fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia desde que criminosos assassinaram o policial militar Marcelo Pimenta, de 32 anos, no dia 30 de junho, em Corumbá. Quatro deles foram mortos em confronto com a PM.
A maioria das mortes ocorreu durante a Operação Jovem Guerreiro, que foi deflagrada pela polícia em resposta à morte do PM em atendimento a uma ocorrência de tiros em Ladário.
Além do enfrentamento às organizações criminosas, a operação também tem como objetivo a busca por um terceiro envolvido na morte do policial, suspeito que conseguiu fugir do cerco da polícia na semana passada.
A última morte confirmada até ontem foi a de Marlon de Souza Silva, de 42 anos, que morreu após entrar em confronto com policiais militares do Batalhão de Choque, segundo a polícia, na madrugada de ontem. O fato ocorreu na BR-262, nas proximidades do km 760, no município de Corumbá.
Já entre os três homens investigados pelo atentado cometido em Ladário que desencadeou essa onda de violência, dois dos que chegaram a ser presos acabaram morrendo. O primeiro a falecer foi Everton da Silva Viana, de 40 anos, que foi identificado dentro da hierarquia do PCC como sendo “disciplina” e “paiol”.
Everton foi morto em confronto policial no dia 30 de junho, conforme a PM, após tentar furtar a arma de policial. Considerado na investigação das forças de segurança como “disciplina” e “paiol”, cabia a ele repreender integrantes que não seguissem as regras, além de armazenar armas e as esconder para ações do crime organizado.
Outro participante do ataque foi Rubens Zilio Neto, identificado como “missionário” na organização criminosa, que usava o codinome “Apolo” e tinha vindo de Goiás para executar ações ligadas ao “tribunal do crime”.
A investigação conduzida até agora apontou que ele estaria vivendo em Puerto Quijarro. Rubens acabou preso.
Enquanto era levado para Campo Grande por policiais militares do Choque, a PM informou que houve emboscada e ele foi executado em um posto de combustível na BR-262, na região de Porto Morrinho, no sábado à tarde.
Nessa ação, apesar de rondas, ninguém envolvido na emboscada foi preso.
A Operação Jovem Guerreiro prosseguiu em Corumbá e Ladário e, no domingo, durante uma abordagem no Bairro Popular Nova, dois bolivianos acabaram mortos pela Polícia Militar.
Conforme a PM, houve ordem de parada para um veículo com placas da Bolívia e os dois homens reagiram. Alixberto Vasques Corrales, 32 anos, e Luis David Justiniano Flores, de 29 anos, faleceram no local da abordagem.
Luis David, inclusive, integrava um grupo de direita boliviano chamado La Unión Juvenil Cruceñista, instituição que divulgou nota de pesar pela morte do homem.
Já a morte de Marlon de Souza Silva, de 42 anos, na madrugada de ontem, ocorreu porque ele não obedeceu à ordem de parada enquanto conduzia um Renault Duster preto com placa brasileira.
Houve perseguição e Marlon chegou a sair do carro e tentar fugir por uma mata. A PM divulgou que ocorreu troca de tiros e o suspeito acabou sendo atingindo no confronto. Além de um revólver calibre 38, foram apreendidos 3,245 quilos de maconha.
COLETIVA
Em Campo Grande, o comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos Garnes, concedeu entrevista coletiva e apontou que as forças de segurança estão dando resposta aos casos de violência que foram registrados na fronteira.
“Muitos questionam o enfrentamento, mas falamos que a postura dos criminosos mudou. Há um enfrentamento às forças de segurança. A população não precisa ter insegurança, temos ações em todo o Estado. O que podemos afirmar é que a Polícia Militar vem reagindo contra o crime como um todo”, declarou.
Ele ainda pontuou que havia a informação de que Rubens Zilio estaria sob suspeita de sofrer um atentado e, por isso, houve a transferência. Ainda assim, o investigado acabou executado.
“Tendo em vista o alvo sensível, foi solicitado apoio à Polícia Militar. Realmente estávamos com informação de possível ataque à pessoa e foi tomado todo o cuidado”, disse.
DISPUTA NA FRONTEIRA
Boa parte das mortes registradas entre Corumbá e Ladário desde o dia 30 de junho está ligada a uma disputa envolvendo possíveis integrantes do PCC, em meio a um desentendimento ligado ao tráfico de drogas.
O homem que teve a casa alvejada por tiros de fuzil e outros armamentos em Ladário registrou boletim de ocorrência. Apesar dos tiros, o homem não ficou ferido, pois se refugiou em um carro blindado.
* SAIBA
Na investigação sobre a morte do PM, Kalissa das Neves Guadalupe, de 33 anos, permanece presa. Ela era namorada de Everton da Silva Viana. O armamento localizado estava escondido na casa dela.



