Reinaldo vive contagem regressiva para contornar baixas e escapar de fracasso na chapa do PL
| INVESTIGAMS/WENDELL REIS
Desistência de deputado, impedimento de vereador e incertezas sobre Pollon e Contar ameaçam promessa de Reinaldo para Bolsonaro.
O presidente do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, tem menos de um mês, 24 dias para ser mais exato, para fechar a chapa de deputados federais e cumprir promessa feita para Jair Bolsonaro e a cúpula nacional do PL (de crescimento do partido).
O ex-governador convenceu Bolsonaro a apoiar Beto Pereira para prefeito de Campo Grande, em troca de assumir o comando e fazer o PL crescer no Estado. Na prática, iria transferir a hegemonia construída no PSDB para o PL.
Reinaldo demorou, mas se mudou do PSDB para o PL, sem grande parte da turma. Os três deputados federais do PSDB (Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende), por exemplo, não acompanharam a mudança, o que é considerado uma baixa e tanto. São os federais que definem tempo na propaganda política e distribuição de recursos para a campanha, o que torna a conquista tão necessária para os partidos.
Sem os “companheiros“, Reinaldo tenta construir um grupo no PL, mas enfrenta dificuldade com os “Bolsonaristas raiz'. Tudo por ocasião da indefinição sobre quem será o segundo candidato ao Senado.
O “mundo dos sonhos' para Reinaldo seria Pollon aceitar concorrer a federal, o que garantiria, em tese, pelo menos duas vagas (segundo pesquisas internas). Sem Pollon, o partido corre risco de fazer apenas um, em resultado pior que a eleição passada, quando fez Rodolfo Nogueira e Pollon, no efeito Bolsonaro.
Pollon disse para mais de uma liderança que seria candidato ao Senado ou a nada. Pode ter mudado de ideia, mas como ainda diz ser o escolhido para o Senado por Bolsonaro, não deve desistir pelo menos até a convenção, marcada para o dia 1° de agosto.
Contar, por sua vez, está certo que será o escolhido e nem pensa em concorrer a federal. Ele alega que está melhor nas pesquisas, o que justifica a preferência para disputar o Senado.
Baixas
O vereador de Campo Grande, Rafael Tavares , seria uma das alternativas para substituir Pollon no campo chamado de “bolsonarista raiz', mas no momento está impedido de concorrer, por uma condenação que lhe deixou inelegível. Ele recorre, mas não deve disputar se não conseguir reverter. Se não disputar, deve apoiar Rodolfo.
Neno Razuk anunciou pré-candidatura quando era deputado estadual, mas perdeu o mandato após condenação de Raquel Trutis. Depois disso, não falou mais com colegas de partido e muitos acreditam que tenha desistido da disputa.
A reportagem apurou que ele está sem celular no momento, o que tem dificultado contato até com colegas que eram mais próximos na Assembleia. A assessoria não confirmou se ele será ou não candidato. O deputado era uma das apostas para dar corpo à chapa.
O que restou?
Sem Pollon, Neno e Rafael Tavares, a chapa do PL se torna mais uma, entre todas as outras, muito longe da meta de eleger três federais.
No momento, o partido tem como confirmados:
– deputado federal Rodolfo Nogueira (eleito na onda Bolsonaro, como Gordinho do Bolsonaro, elê será testado na urna novamente).
– deputada estadual Mara Caseiro (mais votada para estadual e que tentará a vaga de deputada federal pela primeira vez).
– ex-deputado Edson Giroto (volta a disputar uma eleição após derrota em 2012, condenações e até prisão).
– Tenente Portela (vice-presidente estadual do partido, ele não terá vídeo com o amigo, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar).
– Luana Ruiz (suplente de federal no PL, foi nomeada assessora no Governo do Estado nos últimos anos).
Eleição difícil para o Senado
Reinaldo também prometeu dois senadores para Bolsonaro, mas a disputa promete ser das mais acirradas no Estado. Pesquisas divulgadas até o momento mostram empate entre ele, Nelsinho Trad e Contar, na margem de erro.
Além dos já citados, o grupo de Reinaldo ainda terá como adversário o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prometeu apoiar e acompanhar de perto os pré-candidatos ao Senado de seu grupo: Vander Loubet (PT) e Soraya Thronicke (PSB).
Embora o Estado tenha maioria de eleitorado de direita, a última pesquisa para presidência mostra um crescimento de Lula, reduzindo a diferença para Flávio Bolsonaro (PL), que lidera a preferência. Se o quadro permanecer, Lula pode ter influência em um eventual crescimento de Soraya e Vander, afetando os planos de Reinaldo.



