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Grupo investigado por negociar vagas para saúde citava políticos; ex-prefeito buscou dinheiro em gráfica

| INVESTIGAMS/WENDELL REIS


O Procedimento Investigatório Criminal, formulado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS) para solicitar a prisão de 16 pessoas  na Operação Gutemberg, traz nomes de políticos em possíveis negociações de vaga na saúde.

A reportagem apurou que lideranças políticas do Estado são citadas pelos investigados, que justificavam a participação para conseguir sucesso nas negociações com municípios.

A investigação começou em 2022, quando segundo o Gaeco, um grupo criminoso passou a se valer da influência de servidores cooptados na área da saúde pública para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais pela rede estadual à aquisição de livros vendidos pelo grupo.

Entre os presos, o ex-prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos. A reportagem apurou que ele pegou, aproximadamente, R$ 20 mil com uma gráfica, também investigada.

Uma parte dos 16 presos foram ouvidos ontem e depois encaminhados para o presídio. Duas mulheres, a empresária Rossana Jafar, e Jéssyca Burgatt, filha do chefe do coordenador da Regulação da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ed Carlo Burgatt (também preso), serão ouvidas hoje, porque a prisão foi registrada no período da tarde na terça.

A defesa de Jéssyca pedirá a liberdade, alegando que ela está amamentando.

Dos 16 presos, 13 já foram revelados.

– Ed Carlo Burgatt, coordenador de Regulação de Mato Grosso do Sul, e a filha Jéssyca Burgatt.

– Rossana Jafar (proprietária da Ross Clínica), a filha, Olívia Jafar, e Felipe Jafar (comissionado na Agesul).

– Empresário Paulo Rogério de Melo, dono da Atalaia Veículos e o filho, Douglas Henrique de Melo, proprietário da Atalaia Eventos.

– Joatan Gomes Peixoto, proprietário da Editora Avante, e Matheus Oliveira Peixoto, dono da Lord Pub.

– Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;

– Francisco Anizio dos Santos

– advogados Gabriel Taquino de Paula e Geancarlos Leal

O caso

Foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo/SP e Abadiânia/GO.

O Gaeco investiga a prática de crimes contra a Administração Pública em licitação, com corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros delitos correlatos.

A investigação aponta crime em Campo Grande/MS e com atuação em diversos municípios do Estado do Mato Grosso do Sul, com núcleos bem definidos, liderada por empresários que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso.

“Os investigados se valiam de servidores públicos corrompidos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas, mediante contratação direta por inexigibilidade de licitação para a aquisição de livros paradidáticos. Verificou-se que os valores recebidos dos cofres públicos pela organização criminosa ultrapassam a quantia de R$ 27 milhões, a qual era pulverizada entre seus integrantes, servidores corrompidos e diversas pessoas físicas e jurídicas com o fim de ocultar e dissimular a sua origem ilícita', diz nota do Gaeco.

Segundo a investigação, o esquema criminoso se valia da influência de servidores cooptados na área da saúde pública para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais pela rede estadual à aquisição de livros vendidos pelo grupo.

“Importante destacar que a organização criminosa seguia operando até os dias atuais com contratos ativos em vários municípios', reforça o Gaeco.

O nome da operação, “Gutenberg', faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. No caso investigado, ao contrário, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.


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