Esquema furava fila do SUS e favorecia contratos em seis cidades de MS
| JORNAL GRANDOURADOS/DOURADOS AGORA/FLáVIO VERãO
Uma organização criminosa investigada pela Operação Gutenberg teria utilizado a liberação de exames, cirurgias e leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) como moeda de troca para direcionar contratos públicos de livros paradidáticos em Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo se valia da influência de servidores cooptados na área da saúde para favorecer municípios no sistema estadual de regulação. Em contrapartida, as prefeituras deveriam contratar empresas vinculadas ao esquema para fornecer publicações.
Um dos investigados é Ed Carlos Britto Burgatt, então coordenador estadual de Regulação Assistencial do Complexo Regulador Estadual (Core), ligado à Secretaria de Estado de Saúde. Ele é apontado como responsável por articular a liberação de vagas para internações, cirurgias e exames. As defesas dos citados devem se manifestar no decorrer da investigação.
De acordo com a apuração, os contratos para a compra de livros funcionariam como forma de ocultar o pagamento das vantagens indevidas e permitir a divisão dos valores obtidos pelo grupo. Entre as empresas investigadas estão a Gráfica Alvorada e a Editora Avante, razão social Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda.
O MPMS informou que os contratos continuavam ativos em diferentes municípios quando a operação foi deflagrada. As investigações alcançam Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho. Também foram cumpridas ordens judiciais em São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Levantamento realizado pelo Ministério Público em fevereiro de 2024 mostrou que mais de 25 mil pacientes aguardavam exames na rede pública estadual. A lista incluía procedimentos como tomografia computadorizada, ressonância magnética com e sem sedação, eletroneuromiograma e radiografia simples.
Os dados motivaram uma ação civil pública contra o Estado e o Município de Campo Grande. Conforme o MPMS, não há números atualizados porque as filas de exames e cirurgias não são divulgadas com transparência.
A Operação Gutenberg foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para investigar crimes em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados.
Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão. As apurações continuam para identificar todos os envolvidos e dimensionar os prejuízos provocados pelo esquema.



