Gaeco mira Caarapó e mais 5 prefeituras por repasses de R$ 2 milhões entre 2025/26 em nova fase da Operação Gutenberg
| CAARAPONEWS COM MIDIAMAX
De acordo com informações publicadas pelo jornal Midiamax de Campo Grande nesta quinta-feira (6), a Prefeitura de Caarapó passou a integrar a nova fase das investigações da Operação Gutenberg, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura um suposto esquema de desvio milionário de recursos públicos destinados às áreas da saúde e da educação em Mato Grosso do Sul.
Após denunciar à Justiça uma organização criminosa acusada de desviar R$ 27,4 milhões de prefeituras sul-mato-grossenses, o Gaeco identificou novos contratos firmados com a Editora Avante, empresa apontada como integrante do esquema investigado e supostamente controlada pelo chamado "Clã Jafar".
Segundo o relatório mais recente da investigação, seis municípios passaram a ser alvo de novas diligências após a constatação de repasses que somam R$ 2.160.218,00 à editora. Entre eles está Caarapó, que firmou um contrato no valor de R$ 589.392,00, com vigência entre 15 de dezembro de 2025 e 15 de abril de 2026, na gestão da prefeita Lurdes Portugal (PL).
De acordo com o Gaeco, as novas apurações demonstram que, mesmo após o início das investigações e dos pedidos de prisão preventiva dos suspeitos, o grupo continuou celebrando contratos com o poder público.
Em relatório encaminhado à Justiça, os investigadores afirmam que novas diligências revelaram contratos recentes firmados pela organização criminosa, reforçando a tese de que o esquema permaneceu em funcionamento até às vésperas da deflagração da Operação Gutenberg, realizada em 7 de julho deste ano.
Além de Caarapó, também aparecem na nova etapa das investigações os municípios de Anaurilândia, Japorã, Fátima do Sul, Deodápolis e Juti.
Confira abaixo os seis municípios que firmaram contratos recentes com a editora Avante e que já entraram na mira do Gaeco:
Anaurilândia: R$ 232.530,00 — Vigência: 15/01/2026 a 15/01/2027
Japorã: R$ 226.480,00 — Vigência: 20/10/2025 a 19/04/2026
Fátima do Sul: R$ 244.020,00 — Vigência: 05/11/2025 a 05/05/2026
Deodápolis: R$ 474.876,00 — Datas: 09/01/2025 e 14/01/2025
Caarapó: R$ 589.392,00 — Vigência: 15/12/2025 a 15/04/2026
Juti: R$ 392.920,00 – Data: 30/04/2026
À reportagem do Jornal Midiamax, o prefeito de Deodápolis, Jean da Saúde (PSDB), disse que já rescindiu o contrato e que o município não chegou a repassar valores para a editora. “Este contrato já foi rescindido e enviado ao Ministério Público. Não teve aquisição de livros, apenas assinatura de contrato. Na época da contratação não tínhamos conhecimento de que a empresa era investigada. Após tomar conhecimento dos fatos, rescindimos e remetemos todos os documentos ao Ministério Público”.
Já o prefeito de Juti, Gilson Marcos da Cruz (PSDB), emitiu nota confirmando a compra, mas afirmando estar tudo dentro da legalidade e sem indicação: “A Administração Municipal informa que a aquisição dos materiais destinados aos alunos da Rede Municipal de Ensino, foi realizado todo o processo administrativo formal, procedimento previsto na Lei Federal nº 14.133/2021, observando todas as exigências legais e administrativas pertinentes. Esclarece, ainda, que não houve qualquer ato de indicação. A decisão pela aquisição foi pautada exclusivamente no interesse público e na necessidade de oferecer melhores condições de aprendizagem aos alunos da Rede Municipal de Ensino, observando rigorosamente os procedimentos legais e administrativos aplicáveis”.
Por telefone, o prefeito de Anaurilândia, Rafael Gusmão Hamamoto (PP), confirmou ter feito contrato com a editora para compra de livros, que, segundo ele, já foram entregues. No entanto, ficou de enviar uma resposta formal.
A reportagem do Midiamax diz que acionou os demais prefeitos e as prefeituras citados, entre elas Caarapó, e aguarda respostas.
Operação Gutenberg
A primeira fase da Operação Gutenberg resultou na prisão de 16 investigados, enquanto um empresário segue foragido. Conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o grupo era liderado pela empresária Rossana Paroschi Jafar, apontada como responsável pela gestão financeira da Editora Avante e pela distribuição dos recursos recebidos dos contratos firmados com as prefeituras.
As investigações apontam que a organização utilizava contratações por inexigibilidade de licitação para fornecer livros paradidáticos a diversos municípios do Estado. Conforme o Gaeco, após o recebimento dos pagamentos, os valores eram pulverizados por meio de saques em espécie e transferências para empresas e pessoas ligadas ao grupo, em um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
(As informações são do Jornal Midiamax)



