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Deputado diz que dinheiro apreendido saiu de sua conta para gastos em fazendas

Márcio Fernandes afirma que dinheiro era da venda de gado e nega que valor tivesse relação com campanha

| JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Deputado Márcio Fernandes (PL) durante ato de campanha no interior do Estado (Foto: Divulgação)

O deputado estadual e candidato à reeleição Márcio Fernandes (PL) afirmou ao Campo Grande News, nesta sexta-feira (25), que os R$ 100 mil apreendidos pela Polícia Federal foram sacados de sua própria conta bancária para pagar despesas de duas fazendas. O parlamentar contesta a informação de que a apreensão teria ultrapassado R$ 250 mil e diz que o valor recolhido foi de R$ 100 mil.

Segundo o parlamentar, o dinheiro foi retirado por volta das 11h, em uma agência do Banco do Brasil localizada em frente ao Shopping Campo Grande. Ele afirma que havia vendido gado dois dias antes e decidiu sacar o valor em espécie para custear pagamentos relacionados às propriedades rurais.

“Eu fui sacar recurso no Banco do Brasil, por volta das 11 horas da manhã. Quando estava saindo da agência, fui abordado por um agente da Polícia Federal, da Justiça Eleitoral, que estava com um mandado eleitoral e perguntou se eu poderia acompanhá-lo. Eu falei que poderia, mas perguntei do que se tratava. Ele disse que era uma denúncia eleitoral envolvendo o meu nome e queria saber o que eu estava fazendo com aquele recurso', relatou.

De acordo com Márcio, os R$ 100 mil foram apreendidos ainda na saída da agência bancária. Ele nega que o dinheiro estivesse em sua residência ou no comitê eleitoral.

“Pegaram R$ 100 mil na frente do Banco do Brasil, na agência Estilo em frente ao Shopping Campo Grande. Era dinheiro da minha conta pessoal. Eu tinha vendido gado anteontem e estava sacando o dinheiro para usar nas despesas da fazenda', afirmou.

A versão apresentada pelo deputado diverge das informações divulgadas pela Polícia Federal. Segundo a instituição, em mensagens enviadas a imprensa pelo whatsapp do órgão, foram apreendidos mais de R$ 250 mil em dinheiro durante a Operação Jogo Limpo. A ação da PF cumpriu mandados em endereços ligados ao parlamentar e investiga possíveis crimes eleitorais.

Casa e comitê vasculhados - Márcio afirmou que os agentes fizeram buscas em sua residência e no comitê eleitoral, mas, segundo ele, não encontraram dinheiro nesses locais.

“O dinheiro foi apreendido quando eu estava saindo do banco. Não pegaram dinheiro na minha casa e não pegaram dinheiro no comitê. Vasculharam minha casa inteira e não encontraram nada. A única coisa que pegaram foi esse R$ 100 mil, retirado da minha conta, no banco', declarou.

O deputado também afirmou que, além do dinheiro, teve o celular apreendido durante a ação. Segundo ele, os agentes fizeram buscas em cofres, computadores e outros locais da residência.

“Apreenderam meu celular. Fora isso, não tinha mais nada. Vasculharam tudo em casa, todos os cofres, computadores, tudo. Não encontraram nada, nem no comitê nem na minha casa', reforçou.

Pagamentos em dinheiro - Ao explicar por que costuma retirar grandes quantias em espécie, Márcio afirmou que utiliza o dinheiro para despesas das propriedades rurais. Segundo ele, alguns prestadores de serviço não aceitam pagamentos por Pix.

“Eu ia usar nas despesas das fazendas. Tenho duas fazendas e normalmente faço esse tipo de saque para pagar as despesas. Estou fazendo reforma de mangueiro e tem empreiteiro que não quer receber Pix. Tem gente que nem tem Pix', afirmou.

O parlamentar citou como exemplo o conserto de um poço artesiano e disse que costuma fazer pagamentos menores a diferentes prestadores.

“Às vezes são R$ 5 mil para um, R$ 3 mil para outro, R$ 4 mil para outro. Ontem, por exemplo, estragou o poço artesiano. O cara não quis receber Pix. Eu falei: são R$ 7.210, vou pagar em dinheiro. Vou deixar o poço estragar? Então, eu faço isso normalmente, saco R$ 50 mil, R$ 30 mil ou R$ 100 mil para as despesas das fazendas', relatou.

Deputado nega compra de votos - Questionado sobre a possibilidade de o dinheiro estar relacionado à compra de votos, conforme apontado pela PF, Márcio negou a hipótese.

“Ele falou que havia uma denúncia e que precisava apurar. Mas não era dinheiro para comprar voto. Como é que eu vou comprar voto com R$ 100 mil, dez dias antes da eleição? Não tem cabimento', afirmou.

Dinheiro da venda de gado - Márcio também afirmou que a origem do dinheiro pode ser comprovada por meio de sua movimentação bancária. Segundo ele, o valor seria resultado da venda de gado realizada dois dias antes da operação.

“É dinheiro da minha conta. Eu vendi gado anteontem. Podem olhar minha conta, que vão ver que é dinheiro lícito, da venda de gado', declarou.

O deputado afirmou ainda que o valor estaria declarado em seu Imposto de Renda.

“Tiraram foto do dinheiro, inclusive separado dizendo que eram R$ 250 mil, mas nem é essa quantia, foram R$ 100 mil da minha própria conta da venda de gado que vai estar declarado no meu imposto de renda. Eu até questionei a necessidade disso, mas fizeram', afirmou.

Investigação - Mais cedo, a Polícia Federal havia confirmado a realização de diligências relacionadas a uma apuração de possíveis crimes eleitorais. O deputado não foi preso durante a ação. A operação ocorre nove dias antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro.

Márcio disse estar tranquilo diante da investigação e voltou a afirmar que o dinheiro não tinha relação com sua campanha eleitoral.

“Estou tranquilo. Eu não tenho dinheiro de campanha escondido em casa ou no comitê. Não pegaram nada disso. Pegaram o dinheiro que eu estava sacando no banco, da minha própria conta. Podem olhar minha conta. Vão ver que é dinheiro lícito, resultado da venda de gado', declarou.


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