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Golpe do falso intermediário faz corretora perder R$ 145 mil em compra de casa

Criminoso copiou anúncio feito por uma família nas redes sociais e criou negociação paralela com duas vítimas

| CLARA FARIAS E ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS


Mulher olhando anúncio de casas a venda no marketplace (Foto: Clara Farias)

Corretora de imóveis, de 59 anos, perdeu R$ 145.850 ao cair no golpe do falso intermediário durante a negociação de uma casa no Bairro Universitário, na região sul de Campo Grande. A vítima transferiu o dinheiro após receber documentos falsificados e assinar digitalmente um contrato de compra e venda. O caso foi descoberto na quarta-feira (14), quando ela entrou em contato com a proprietária do imóvel e percebeu que havia sido enganada.

A fraude começou com o anúncio da residência no Marketplace do Facebook, publicado pela filha da proprietária, uma mulher autônoma de 39 anos. A mãe dela, de 69 anos, pretendia vender o imóvel por R$ 290 mil. O golpista, porém, criou uma negociação paralela e anunciou a mesma casa por R$ 186 mil, atraindo o interesse da corretora.

Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito se apresentou como um homem interessado em comprar a residência e disse que o imóvel seria usado como parte do pagamento de uma dívida com terceiros. Ele entrou em contato com a filha da proprietária e pediu fotos, vídeos e documentos da casa, além dos dados bancários da dona. Também solicitou que o anúncio original fosse retirado do ar.

A filha desconfiou da negociação porque o suposto comprador adiava repetidamente as visitas à residência. Em uma das ocasiões, alegou que os interessados estavam em Corumbá. Depois, afirmou que o veículo havia apresentado problemas mecânicos. Mesmo com as suspeitas, ele continuou insistindo para que o anúncio fosse excluído.

Enquanto isso, o criminoso mantinha contato com a corretora, a quem apresentou documentos falsificados em nome da proprietária. Entre eles, havia uma cópia adulterada da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e um comprovante de residência falso.

No dia 6 de outubro, a corretora foi até a casa acompanhada de um chaveiro, depois de o suspeito alegar que havia perdido a chave. A visita foi autorizada por ele, que justificou estar em outra cidade. Após conhecer o imóvel, a vítima deu andamento à negociação e assinou digitalmente um contrato de compra e venda no dia seguinte.

Conforme o registro policial, o golpista alegou que a suposta esposa já havia assinado o documento e passou a pressionar a corretora pelo pagamento. A primeira transferência, de R$ 100 mil, foi realizada em 7 de outubro. O dinheiro foi enviado para uma conta bancária em nome de um terceiro.

O restante do valor seria renegociado para R$ 50 mil. Para concluir o negócio, a corretora pediu que o suspeito providenciasse uma procuração em causa própria em favor de seu genro, que figurava como comprador no contrato. O homem afirmou que estava a caminho do cartório com a proprietária e pediu que o dinheiro fosse adiantado para que o documento pudesse ser feito.

Na terça-feira (13), a vítima transferiu mais R$ 45.850 para a mesma conta bancária. No dia seguinte, ao encontrar novamente o anúncio original da casa no Facebook, ela procurou a filha da proprietária para confirmar os detalhes da negociação. Foi quando descobriu que as duas partes estavam sendo enganadas pelo mesmo homem.

Ao tentar falar com o suspeito, a corretora percebeu que havia sido bloqueada no aplicativo de mensagens e nas ligações telefônicas. As vítimas registraram boletins de ocorrência, e o caso será investigado pela Polícia Civil.

Em entrevista ao Campo Grande News, a filha da proprietária contou que a família começou a desconfiar das conversas porque o homem sempre apresentava uma justificativa para adiar a visita dos supostos compradores.

Ela relatou que a mãe chegou a pedir que o anúncio fosse republicado justamente por suspeitar que havia algo errado. O golpista percebeu a publicação e voltou a insistir para que ela fosse retirada, alegando que a negociação já estava fechada.

A filha também afirmou que o suspeito tentou obter documentos atualizados da residência, mas ela se recusou a enviá-los antes de confirmar o pagamento. A família teme que os documentos falsificados sejam utilizados em outras fraudes e busca orientação para evitar possíveis prejuízos.

O caso serve de alerta para quem anuncia imóveis e para pessoas interessadas em comprar uma casa. No golpe do falso intermediário, o criminoso se coloca entre o proprietário e o comprador, apresenta informações diferentes a cada lado e tenta receber o dinheiro sem que as partes confirmem diretamente os termos do negócio.

A orientação é conversar pessoalmente com o proprietário, confirmar quem receberá o pagamento e desconfiar de preços muito abaixo do mercado ou de pedidos de sigilo sobre os valores negociados. A transferência deve ocorrer somente depois que a identidade das partes e as condições da venda forem verificadas.


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