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Quebra do Ueno Bank barateia faculdades de Medicina do Paraguai e atrai brasileiros

| MIDIAMAX


Milhões de paraguaios foram pegos de surpresa na terça-feira (3), após o BCP (Banco Central do Paraguai) suspender as operações do Ueno Bank, uma das maiores instituições bancárias do Paraguai. A decisão provocou uma crise no sistema financeiro e político do país e já reflete na desvalorização do guarani, moeda oficial do Paraguai.

Essa desvalorização pode refletir também no bolso dos estudantes brasileiros que vivem no Paraguai, especialmente os matriculados no curso de Medicina, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Mato Grosso do Sul, já que a expectativa é de que as mensalidades fiquem mais baratas para quem paga em real. A região também concentra intensa circulação de sul-mato-grossenses que cruzam a fronteira para trabalhar e fazer compras.

A estudante universitária Maria Clara Machado, de 19 anos, está cursando o quinto semestre de Medicina na Uninorte (Universidad del Norte), que fica localizada em frente ao Ueno Bank. Ela relata que, ao ir para a aula na última semana, deparou-se com o banco fechado e vários policiais em frente à unidade. 

Posteriormente, o conflito envolvendo a instituição financeira foi parar nos noticiários nacionais e internacionais, seguido pela renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo, e, mais tarde, a renúncia do próprio presidente do Paraguai, Santiago Peña, na última quinta-feira (5). 

“É bem difícil tudo isso que tá acontecendo no país, ainda mais porque afetou muitas pessoas. O Paraguai é um país pequeno comparado ao Brasil; então, muita gente foi afetada, está bem preocupante o que está acontecendo”, comentou a estudante. 

Embora a intervenção na instituição financeira tenha prejudicado muitas famílias paraguaias, Maria Clara avalia que a crise não deve afetar negativamente o bolso dos estudantes, principalmente considerando que, com a desvalorização do guarani, a mensalidade deve ficar mais em conta. 

A estudante explica que os acadêmicos costumam trocar reais por guaranis em casas de câmbio e, depois, pagar as mensalidades diretamente no caixa da instituição de ensino. Por isso, ela avalia que a desvalorização da moeda paraguaia em relação ao real pode tornar o custo da faculdade mais barato. 

Na semana passada, por exemplo, a cotação estava entre 1.080 e 1.090 guaranis por real, enquanto nesta semana chegou a 1.130, aumentando o poder de compra dos estudantes brasileiros, conforme revela a estudante. “Como eu tô indo pro terceiro ano, eu tô pagando mais ou menos uns 1.800 reais de mensalidade, por aí. No Brasil, acho que seria uns R$ 12 mil, R$ 13 mil já. É bastante diferença”, expressa.

A estudante universitária Deborah Benito, de 18 anos, natural de Dourados (MS), está cursando o segundo semestre de Medicina. Ela avalia que a situação deve afetar muitos estudantes, pois boa parte pretende voltar para o Brasil ou ir para o exterior após concluir a graduação. No entanto, Deborah expressa que a crise não vai afetar sua vida pessoal ou acadêmica. Segundo a estudante, empresários devem ser mais afetados. “É claro que muda a economia para empresários e outros, mas o custo de vida aqui não é tão ruim assim.”

A estudante revela que não está acompanhando a situação, portanto, não está por dentro dos acontecimentos. No entanto, observa que a quebra do banco deixou muitas pessoas irritadas. “Eu não estou acompanhando muito a situação, mas tá bem movimentado. Conheço pessoas que tinham conta no Bueno. Inclusive, o meu pai tinha. Como a maioria dos paraguaios.”

Crise não assusta quem pretende ir cursar Medicina
As estudantes Jennifer Lopes e Vitória Cunha saíram de Barretos (SP) para passar um tempo em Pedro Juan Caballero, com o intuito de conhecer as faculdades de Medicina, pesquisar valores de mensalidade e se familiarizar com a região. Uma das universidades visitadas pelas jovens, inclusive, foi a Uninorte (Universidad del Norte), que fica em frente ao Ueno Bank. 

Jennifer diz que considera a população paraguaia acolhedora e que pretende se matricular em um futuro próximo, assim como Vitória. “Pretendemos estudar aqui, porque a qualidade de vida é boa, nós vimos que é muito bom, e o governo é bom também”, relatou Jennifer. 

Questionada sobre os conflitos políticos e econômicos atuais do país, a jovem expressou que a situação preocupa, mas está confiante da decisão. “Está muito recente tudo isso aconteceu; então, a gente está se informando disso só agora. A gente está um pouco preocupada com isso, mas a população em si é mais acolhedora; então, eu creio que isso vai ter um bom resultado no final.”
Já Vitória destacou as diferenças entre as mensalidades para cursar Medicina no Brasil e no Paraguai, e chegou à conclusão de que compensa. “Se é R$ 20 mil no Brasil, aqui é R$ 2 mil. A qualidade [das faculdades] também é muito boa e tem mais oportunidades.”
Na visão de Vitória, o cenário político atual do Paraguai não deve impactar nas universidades. “Por enquanto, acho que essa questão política não tem impacto aqui. A gente precisa analisar direitinho, mas nós estamos pensando em morar do lado do Brasil, em Ponta Porã, e vir fazer a faculdade aqui.”

Intervenção no Ueno Bank
De acordo com o BCP, o Ueno Bank, com mais de 3 milhões de clientes, foi alvo de intervenção na terça-feira (3) porque o índice de solvência da instituição financeira caiu para menos de 50% do limite mínimo exigido por lei. Horas após o anúncio da medida, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo a pedido de Santiago Peña.

O Ministério Público do Paraguai ordenou a prisão de oito diretores do Ueno Bank. Segundo as autoridades locais, todos os executivos já foram detidos. Entre os investigados que compareceram a audiências no Palácio da Justiça, em Assunção, está o diretor Miguel Vázquez.
Nas semanas anteriores à intervenção, Peña havia descartado alertas sobre a situação financeira do banco. Em 27 de outubro, o então presidente pediu calma e classificou a investigação administrativa do BCP como uma questão técnica.

 


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