Cerco une colegas de folga, PF e bolivianos em caçada por suspeito de matar PM
Comandante diz que terceiro envolvido pode ter fugido para o outro lado da fronteira
| GABI CENCIARELLI / CAMPO GRANDE NEWS
A caçada ao terceiro suspeito de envolvimento no assassinato do soldado Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, já mobiliza forças de segurança dos dois lados da fronteira. Em Corumbá, a Polícia Militar atua em conjunto com a PF (Polícia Federal), a Polícia Civil e a Polícia Boliviana para impedir a fuga do investigado e garantir sua captura, afirmou nesta quarta-feira (1) o comandante-geral da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), coronel Renato dos Anjos Garnes.
Durante coletiva de imprensa, o comandante reconheceu que o suspeito foragido pode até ter conseguido atravessar para o país vizinho, mas garantiu que a cooperação entre as forças de segurança continua ativa.
“Com essa parceria, essa integração com o país vizinho, nós vamos estar realmente buscando de toda forma trazê-lo de volta para ser julgado pela Justiça brasileira', declarou.
Segundo Garnes, a atuação da Polícia Boliviana foi decisiva desde as primeiras horas após o crime. O comandante afirmou que o apoio internacional ajudou a fechar rotas de fuga utilizadas por criminosos na região de fronteira e contribuiu para a localização de envolvidos e armamentos apreendidos durante a operação.
Mas o coronel fez questão de destacar que a resposta começou ainda nos minutos seguintes ao assassinato do policial. Abalados pela morte do colega, militares que estavam fora de serviço se apresentaram voluntariamente para reforçar as buscas e montar barreiras em pontos estratégicos de Corumbá.
“Todos se predispuseram a fazer as barreiras, e isso dificultou o avanço desse suspeito', afirmou.
O reforço elevou significativamente o efetivo empregado na operação. De acordo com o comandante, o número de policiais nas ruas mais que triplicou, ultrapassando a marca de 100 agentes com a chegada de equipes especializadas do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), Choque e outras unidades.
Outro ponto abordado por Garnes foi a motivação do crime. O comandante rejeitou a tese de uma guerra entre facções rivais na fronteira e afirmou que as informações reunidas até agora apontam para um conflito interno dentro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
“Aqui não vamos falar de briga de facções. Estamos falando de um desacordo interno do próprio PCC', disse.
Segundo ele, o desentendimento estaria ligado ao tráfico de drogas na região, especialmente à movimentação de cocaína na fronteira entre Brasil e Bolívia.
Até o momento, um suspeito morreu durante intervenção policial, outro foi preso e uma mulher foi detida por armazenar armamentos ligados ao grupo investigado. O terceiro envolvido segue foragido e é alvo das buscas realizadas em conjunto pelas forças estaduais, federais e bolivianas.



