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Redução de repasses, atrasos e sobrecarga: crise no Hospital São Mateus amplia cobrança sobre a Prefeitura de Caarapó, que divulga nota

| REDAçãO CAARAPONEWS


A Prefeitura de Caarapó divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (4) para se manifestar sobre as reclamações envolvendo o atendimento realizado no Hospital Beneficente São Mateus no último domingo (1º). Na manifestação, a Administração Municipal informou que aguarda um posicionamento oficial da direção da unidade e que adotará providências administrativas para solicitar esclarecimentos e apurar possíveis atrasos nos atendimentos.

Entretanto, a nota também levanta questionamentos sobre a responsabilidade do próprio município diante da situação enfrentada pelo único hospital de Caarapó, especialmente em períodos de maior demanda, quando a estrutura da rede pública de saúde precisa funcionar de maneira integrada.

As reclamações ganharam força nas redes sociais durante o último final de semana, marcado por um feriado prolongado. Na sexta-feira anterior e na segunda-feira (2), feriado de Finados, as unidades de saúde do município, como ESFs e PAM, permaneceram fechadas, concentrando no Hospital São Mateus a responsabilidade de absorver a demanda de atendimentos durante quatro dias.

Conforme apurado pelo CaarapoNews, somente no domingo (1º) foram registrados três pedidos de transferência de pacientes para unidades de saúde de outros municípios, situações que exigem o acompanhamento de profissionais médicos durante o deslocamento.

Uma das transferências envolveu uma paciente que precisou ser entubada e encaminhada em vaga zero para Campo Grande. Segundo uma das fontes ouvidas pela reportagem, a necessidade de deslocamento de médicos para acompanhar pacientes, somada à sobrecarga de atendimentos, compromete ainda mais a capacidade de funcionamento da unidade.

Com profissionais fora do hospital para realizar transferências, a equipe disponível fica reduzida justamente em um momento de maior procura por atendimento.

Vereador do mesmo partido da prefeita constata problemas e cobra providências
A situação também foi acompanhada pelo vereador Celso Capovilla (PL), do mesmo partido da prefeita Lurdes Portugal. Após receber reclamações da população, o parlamentar esteve no Hospital São Mateus na noite de domingo (1º) para verificar de perto as condições de atendimento.

Durante a fiscalização, Capovilla constatou que havia apenas um médico plantonista atendendo na unidade. Um dos profissionais que estava de sobreaviso encontrava-se em atendimento de uma ocorrência de vaga zero em Naviraí, enquanto outro médico precisou se deslocar para Campo Grande também para acompanhar uma transferência.

“Essa situação contribuiu para a sobrecarga da equipe médica e para o aumento do tempo de espera dos pacientes”, relatou o vereador.

Diante do cenário, Celso Capovilla cobrou providências da prefeita Lurdes (PL), destacando que, embora o Hospital São Mateus receba recursos do município para auxiliar no atendimento à população, a rede pública municipal não pode permanecer fechada por quatro dias consecutivos sem uma alternativa adequada para absorver a demanda.

O vereador também relembrou o compromisso assumido pela prefeita durante a campanha eleitoral de manter o PAM funcionando 24 horas, justamente como medida para evitar a sobrecarga do hospital e garantir mais opções de atendimento à população.

“Não podemos deixar toda a responsabilidade do atendimento de urgência e emergência nas costas do Hospital São Mateus. Quando a rede pública fecha por vários dias, a demanda acaba sendo direcionada para o hospital, que também possui limitações de estrutura e de profissionais. Precisamos de planejamento e de alternativas para que a população não fique desassistida”, destacou Capovilla.

Prefeitura reduziu repasses em mais de R$ 1 milhão por ano
Outro ponto central da crise envolve os recursos destinados pela Prefeitura ao custeio do Hospital São Mateus.

Conforme levantamento apurado anteriormente pelo CaarapoNews, a atual gestão municicipal, desde que assumiu, reduziu em aproximadamente R$ 90 mil mensais os valores destinados ao custeio. A diferença representa mais de R$ 1 milhão ao ano.

O valor atualmente repassado pelo município é apontado como insuficiente para acompanhar o crescimento da demanda por atendimentos e as despesas necessárias para manter o funcionamento da unidade. Diante do aumento das necessidades da população e dos custos hospitalares, os recursos deveriam ter sido reajustados, e não reduzidos.

A diminuição do custeio teve reflexos na estrutura de atendimento, contribuindo para o desligamento de profissionais especialistas e a interrupção de procedimentos que anteriormente eram realizados na própria unidade, como cirurgias ortopédicas de baixa e média complexidade, que eram realizadas pelo ortopedista Franserg Sacoman e outras gerais quem realizadas pelo cirurgião Silvio Ueda.

Na prática, enquanto o Hospital São Mateus continua sendo pressionado a absorver uma demanda crescente, os recursos municipais destinados à manutenção dos serviços foram reduzidos. O cenário levanta questionamentos sobre o planejamento da Administração Municipal e sobre como a instituição conseguirá manter a qualidade e a abrangência dos atendimentos com um orçamento menor.

A situação também expõe uma contradição: a Prefeitura cobra explicações do hospital sobre possíveis atrasos no atendimento, mas precisa esclarecer por que reduziu os recursos destinados à instituição justamente quando a necessidade de atendimento da população exige maior capacidade financeira e operacional.

Atrasos nos pagamentos e dificuldades financeiras
Há vários dias, o CaarapoNews vem mostrando problemas enfrentados pelo Hospital São Mateus e questionando a atuação da Administração Municipal em relação à manutenção dos serviços prestados à população.

Um dos pontos mais preocupantes é o atraso por parte da entidade no pagamento dos profissionais médicos. Até a manhã desta terça-feira (4), médicos ainda aguardavam o recebimento de parte dos valores referentes aos serviços prestados em setembro. O pagamento foi realizado após a repercussão do caso.

A regularização, porém, não encerra a preocupação. O pagamento referente a outubro vence no próximo dia 10, mas, diante do histórico recente, ainda não há segurança de que os valores serão quitados integralmente dentro do prazo.

Além dos atrasos, fontes ouvidas pela reportagem relatam dificuldades financeiras e operacionais no hospital. Segundo esses relatos, desde a mudança na administração municipal, a instituição enfrenta problemas para cumprir compromissos financeiros e manter determinados atendimentos.

Entre as mudanças apontadas está a interrupção de cirurgias ortopédicas de baixa e média complexidade, que anteriormente eram realizadas na própria unidade, após a saída do médico especialista que atendia no hospital. Também foram relatadas restrições na realização de pequenas cirurgias gerais.

Profissionais com atuação antiga na instituição, como o doutor Antonio Andrade Jr. e Edvaldo Cassaro, também teriam deixado de prestar atendimentos. Segundo as fontes, parte dos médicos contratados atualmente é formada por profissionais recém-formados.

Os relatos levantam questionamentos sobre a capacidade de manutenção dos serviços e a continuidade dos atendimentos oferecidos à população que depende do hospital.

Denúncias incluem falta de alimentos, medicamentos e insumos
As dificuldades relatadas não se restringem à contratação de profissionais. Uma fonte ouvida pela reportagem afirmou que há falta de alimentos para funcionários, que, em algumas situações, precisam levar comida de casa para conseguir se alimentar durante o expediente.

Também foram mencionadas faltas de medicamentos, insumos e materiais básicos necessários ao funcionamento da unidade.

Segundo a fonte, os recursos atualmente repassados pela Prefeitura não seriam suficientes para cobrir todas as despesas mensais do hospital. Caso confirmadas, essas dificuldades podem comprometer as condições de trabalho dos profissionais e a manutenção dos serviços prestados aos pacientes.

Prefeitura também precisa prestar esclarecimentos
Ao afirmar que aguarda explicações da direção do Hospital São Mateus, a Administração Municipal coloca a instituição no centro da cobrança. Entretanto, diante das reclamações, também é necessário esclarecer qual tem sido a participação do município na manutenção financeira e operacional do hospital. "Não podemos esquecer que o mesmo diretor do Hospital é o Coordenador do PAM, colocado pela Prefeita na entidade, então fica dificil entender como ela cobra explicação, se seu servidor faz parte do processo", disse uma fonte que pediu para não se identificar.

A população precisa saber por que houve redução nos valores destinados ao custeio, se os repasses atuais são suficientes para manter os serviços contratados e quais medidas estão sendo adotadas para evitar que problemas administrativos e financeiros prejudiquem o atendimento.

Também é necessário esclarecer como a rede municipal está organizada para atender a população durante feriados e períodos em que as unidades básicas permanecem fechadas, evitando que toda a demanda seja direcionada ao único hospital do município.

A Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136, é um dos canais indicados pela Prefeitura para o registro de reclamações. No entanto, a orientação para que a população formalize denúncias não substitui a obrigação do poder público de acompanhar, fiscalizar e buscar soluções para os problemas que afetam os serviços de saúde.

A situação exige respostas concretas, não apenas manifestações oficiais. Afinal, quando o atendimento hospitalar enfrenta dificuldades, quem sofre diretamente as consequências é a população que depende do serviço público.

O espaço permanece aberto para a manifestação da prefeita Lurdes Portugal, da Prefeitura de Caarapó e da direção do Hospital Beneficente São Mateus.

Nota divulgada pela Prefeitura de Caarapó, onde tenta se eximir da responsabilidade

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