Acidentes crescem em MS e trecho da BR-163 entre Juti e Caarapó está entre os mais perigosos
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Levantamento da Fundação Dom Cabral (FDC), com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), aponta que os acidentes nas rodovias federais de Mato Grosso do Sul seguem um padrão relacionado aos trechos das vias e às condições meteorológicas.
De modo geral, é comum a percepção de que as estradas oferecem maior risco em dias de chuva ou tempo instável, quando a pista molhada e a visibilidade reduzida dificultam a condução dos veículos. Curvas também costumam ser apontadas como pontos críticos, por exigirem maior atenção dos motoristas e estarem associadas a perdas de controle e colisões.
Entretanto, os dados do Estado mostram uma quebra desse padrão. Em 2024, a maioria dos acidentes ocorreu em pontos específicos das rodovias e, principalmente, em dias de tempo firme, quando os condutores tendem a trafegar em velocidades mais altas.
Ao todo, foram registrados 1.441 acidentes nas rodovias federais de Mato Grosso do Sul em 2024, número superior aos 1.372 de 2023 e aos 1.331 de 2022. Entre os acidentes com mortes, quase 80% aconteceram em trechos de tangente — áreas retas antes ou depois de curvas — onde os veículos geralmente trafegam mais rápido, aumentando a gravidade das colisões.
A BR-163, principal corredor rodoviário do Estado, com mais de 800 quilômetros de extensão, concentra quase metade de todos os acidentes registrados em 2024. No extremo sul, a maior incidência ocorre em Mundo Novo. Os registros diminuem ao longo da rodovia, mas voltam a crescer na entrada e na saída de Itaquiraí. Entre Itaquiraí e Naviraí não há ocorrências, porém os acidentes retornam no trecho entre Juti e Caarapó.
Em Dourados, as ocorrências se intensificam tanto no sentido sul quanto no sentido norte, em direção a Campo Grande. A BR-163 volta a apresentar sequência de acidentes entre Anhandui e a Capital.
Dentro do perímetro urbano de Campo Grande, os trechos com maior número de registros ficam entre os bairros Jardim Noroeste e Estrela Dalva. Da Capital até São Pedro, não houve ocorrências segundo o levantamento. A rodovia volta a registrar concentração de acidentes em São Gabriel do Oeste, Rio Verde de Mato Grosso e, principalmente, em Coxim. Entre Coxim e Sonora, a incidência volta a cair.
Outras rodovias
As demais rodovias federais apresentam menor concentração de acidentes. Na BR-262, as ocorrências estão distribuídas por praticamente toda a extensão, com pontos mais críticos entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande, além do trecho entre a Capital e Terenos, nas proximidades da chamada “curva da morte”. Também há retomada de incidência em Miranda e Corumbá.
Na BR-060, parte dos acidentes se concentra em Jardim e Nioaque, mas o maior número de registros ocorre em Sidrolândia, seguindo frequente até Campo Grande. Já na BR-376, que corta municípios como Nova Andradina, Ivinhema e Glória de Dourados, a maior concentração fica entre Nova Andradina e o distrito de Amandina. Na BR-158, o trecho mais crítico está entre Aparecida do Taboado e Paranaíba.
Condições meteorológicas
O levantamento também analisou as condições climáticas no momento dos acidentes. A maioria das ocorrências (1.097 registros) aconteceu com tempo firme. As demais condições foram: tempo nublado (167 acidentes), chuva (68), sol (49), sem informação (37) e garoa (23).




