Dourados lidera gastos, com R$ 13 milhões pagos em kits investigados pelo Gaeco
A prefeitura comprou 132.705 unidades por R$ 13 milhões em duas contratações distintas entre 2023 e 2024
| LUCIA MOREL / CAMPO GRANDE NEWS
A Prefeitura de Dourados foi a administração municipal que mais investiu na aquisição de materiais pedagógicos da Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda.) em Mato Grosso do Sul. Entre 2021 e 2024, durante a gestão do ex-prefeito Alan Guedes (PP), foram adquiridos 132.705 kits pedagógicos em duas contratações que somaram aproximadamente R$ 13 milhões.
Os materiais abordam temas como autismo, musicalização, combate às drogas, educação ambiental e incentivo ao protagonismo escolar. Em junho de 2024, cerca de 200 professores e coordenadores da rede municipal participaram de uma formação voltada à utilização dos kits em sala de aula.
Além do volume de compras, os valores pagos pelos materiais também chamaram a atenção. O kit mais caro adquirido foi a coleção "Cores, Formas, Letras, Números e Contrários", comercializada por R$ 169,29 a unidade. Foram comprados 2,2 mil exemplares, totalizando aproximadamente R$ 372,4 mil.
O maior investimento, porém, ocorreu com o livro "Droga, o que é? Atenção aos perigos", do qual foram adquiridas 17.060 unidades ao custo de R$ 114 cada, somando cerca de R$ 1,9 milhão.
Já o material adquirido em maior quantidade foi "Mosquito, aqui não!", com 22.145 exemplares comprados ao valor unitário de R$ 82, representando um desembolso de aproximadamente R$ 1,8 milhão.
Em nota, a Prefeitura de Dourados informou que não irá se manifestar sobre contratos firmados pela administração anterior, destacando que o caso está sob apuração das autoridades competentes. A atual gestão também afirmou que não mantém qualquer relação comercial com a empresa investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Entre os municípios sul-mato-grossenses que contrataram a Editora Avante está Caarapó, que firmou contrato no valor de R$ 589,3 mil, em dezembro de 2025.
Além de Caarapó, também aparecem na relação os municípios de Bonito, São Gabriel do Oeste, Miranda, Ivinhema, Sonora, Anaurilândia, Deodápolis, Porto Murtinho, Ladário e Novo Horizonte do Sul, com contratos que variam de pouco mais de R$ 200 mil a cerca de R$ 1,2 milhão.
Os contratos passaram a receber atenção em razão do volume de recursos investidos e da quantidade de materiais adquiridos em comparação ao número de estudantes atendidos pelas redes municipais de ensino. As contratações fazem parte das apurações conduzidas pelo Gaeco, que investiga possíveis irregularidades envolvendo a comercialização dos materiais pedagógicos.



